Nódulo de tiróide

Investigação e tratamento

 

Prof. Dr. Carlos Takahiro Chone
Prof. Dr. Agrício Nubiato Crespo
Disciplina de Otorrinolaringologia
Profa. Dra. Laura Sterian Ward
Departamento de Clínica Médica

 

Introdução


Nódulos tiroidianos são encontrados na palpação do pescoço em cerca de 3% a 7% da população adulta, principalmente nas mulheres.1(D) Nas últimas duas décadas, com o uso freqüente de ultra-som cervical, do doppler de carótidas e vértebras e de outros métodos de imagem, houve um grande aumento de prevalência de nódulos detectados, principalmente dos incidentalomas, nódulos freqüentemente menores que 15 mm, com taxas de 20% a 76% da população.2,3(B) Entretanto, existem evidências que os microcarcinomas papilíferos (definidos pela OMS como carcinomas com até 1 cm de diâmetro) sejam, na maioria dos casos, tumores assintomáticos indolentes que, diferentemente de tumores maiores, não evoluem clinicamente. Assim, não se preconiza prosseguir na investigação de incidentalomas menores que 1 cm de diâmetro, a não ser que haja suspeita de malignidade na imagem que os diagnosticou.4(D)

Nódulos maiores que 1 cm devem ser sempre avaliados.

A grande importância dos nódulos tiroidianos decorre do fato de que, apesar de cerca de 95% representar lesões benignas, é necessário excluir o câncer da tiróide, que ocorre em 5% a 10 % dos casos.1-4(D)

 

Diagnóstico

 

Quadro clínico

A maioria dos pacientes com nódulo tiroidiano é assintomática.

Sintomas como sensação de engasgo, desconforto cervical, dor, disfagia ou rouquidão, na maioria das situações são originados em doenças não tiroidianas. O câncer de tiróide, raramente, ocasiona sintomas de obstrução de via aérea, paralisia de prega vocal ou disfagia por compressão esofágica. Porém, no nódulo de crescimento rápido, com paralisia de prega vocal, deve ser descartada doença maligna.1-4(D)

É importante avaliar se o paciente tem sintomas de hipertiroidismo como nervosismo, sudorese, taquicardia, emagrecimento, tremores e instabilidade emocional, uma vez que o nódulo hiperfuncionante quase sempre é benigno. É importante lembrar que no bócio multinodular tóxico podem coexistir áreas hiperfuncionantes com nódulos malignos e que nódulos na Doença de Graves, têm 9% de chance de serem malignos.5(C) Deve-se, também, descartar hipotiroidismo que pode cursar com nódulos por fibrose ou infiltração linfocitária.4(D)


Um nódulo firme, endurecido, solitário, pouco móvel e que difere do restante da glândula, sugere um risco aumentado de câncer.4(D)


Situações clínicas de maior risco para o câncer de tiróide são: idade menor de 20 anos ou maior de 70 anos, sexo masculino, antecedente pessoal de exposição a radiação, antecedente familiar de câncer de tiróide. Nos jovens abaixo de 20 anos, o risco de um nódulo ser câncer é o dobro do adulto.4(D)

Exames laboratoriais


A dosagem de TSH sempre deve ser pedida para descartar nódulo hiperfuncionante (cerca de 10% dos nódulos), quando estará baixo ou suprimido. O nódulo hiperfuncinante praticamente descarta malignidade, e o paciente pode ser tratado com radioiodoterapia. TSH elevado deve sugerir hipotiroidismo, que também pode cursar com nódulos palpáveis e, também, descarta cirurgia. Quando há elevação do TSH é necessário solicitar também dosagem de tiroxina livre (T4l) e de anticorpos antitiroidianos.4(D)


A dosagem de tireoglobulina não é recomendada para diagnóstico de nódulo de tiróide, pois não fornece qualquer informação quanto à natureza do nódulo.4(D) Dosagem de calcitonina é recomendada apenas nos pacientes com antecedentes familiares ou suspeita de carcinoma medular de tiróide.4(D)
 

 

 

Leia também:

Laringites

Otite média aguda

Diagnóstico do câncer de cavidade oral

Tratamento do câncer de cavidade oral

Diagnóstico das massas cervicais

Abordagem do paciente com tontura

Abordagem do paciente com zumbido

Diagnóstico de câncer de laringe