| Laringites
Dra. Rebecca Maunsell
Disciplina de Otorrinolaringologia
FCM, Unicamp
Introdução
O termo laringite erroneamente utilizado como sinônimo de rouquidão se refere a um processo inflamatório da laringe que pode ser agudo ou crônico, infeccioso ou não, localizado ou inserido em um quadro sistêmico.
Laringites em crianças
O diagnóstico das principais afecções inflamatórias da laringe em crianças pode ser feito baseado na história clínica e exame físico complementado ou não o exame endoscópico das vias aéreas. Algumas vezes uma radiografia cervical em perfil com incidência para partes moles auxilia no diagnóstico diferencial com outras causas de insuficiência respiratória como corpos estranhos e na localização do sítio de obstrução das vias aéreas. Excessiva manipulação destas crianças deve ser evitada, pois pode criar situações de estresse e agitação e agravamento da angústia respiratória. A tabela abaixo fornece um resumo básico das principais laringites da infância.
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Laringite viral comum |
Laringotraqueíte aguda / crupe verdadeira |
Laringite bacteriana secundária |
Supraglotite aguda ou epiglotite |
Falsa crupe ou laringite espasmódica |
Idade e quadro clínica |
Infecção de vias aéreas; pode acompanhar quadros de sarampo, escarlatina, varicela |
Mais comum nas estações frias em crianças menores de 5 anos freqüentemente associado à infecção de vias aéreas superiores |
Evolução de laringotraqueíte para quadro obstrutivo e toxemia |
Crianças de 2 a 4 anos, evolução rápida com risco de obstrução de via aérea rápida e fatal, |
6 meses a 3 anos, pode vir isoladamente sem quadro de infecção de vias aéreas |
Sinais e sintomas |
Disfonia e tosse leves |
Tosse típica (tipo latido) não produtiva que piora à noite, estridor, disfonia e obstrução podem ocorrer |
Variados graus de obstrução e estridor, disfonia, taquipnéia, taquicardia, tosse, e babação, expectoração purulenta |
Odinofagia, estridor inspiratório, voz “abafada”, babação, postura sentada característica. |
Crises súbitas e relativamente fugazes, podendo ser recorrentes, de estridor e tosse seca noturna |
Febre |
Febre baixa |
Febre alta |
Febre alta |
Febre alta |
Afebril |
Agentes etiológicos mais comuns |
Rhinovirus, parainfluenza vírus, vírus sincicial respiratório, adenovirus |
ParainfluenzaI, parainfluenza II, influenza , rhinovirus, vírus sincicial respiratório |
Haemophilus influenzae, pneumococos, estreptococos hemolítico |
Haemophilus influenzae tipo B |
Não identificado, sugere-se reação alérgico a antígenos virais |
Achados de laringoscopia |
Edema laríngeo difuso sem obstrução |
Edema subglótico e traqueal poupando supraglote |
Edema subglótico e traqueal com secreção purulenta |
Edema e hiperemia de epiglote e às vezes outras estruturas supraglóticas, poupa cordas vocais |
Mucosa pálida e discreto edema |
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Laringite diftérica
Rara em decorrência da ampla imunização, no entanto, mesmo os imunizados podem adquirir a doença em sua forma mais branda. Caracteriza-se por febre insidiosa associada à odinofagia e disfonia seguida de obstrução de via aérea, em geral acomete crianças menores de seis anos. A laringoscopia revela exsudato espesso, membranoso em placas de coloração cinza-esverdeado sobre amígdalas palatinas, faringe e laringe. A remoção das placas é difícil e revela leito de mucosa sangrante. Confirmação diagnóstica com cultura de secreção. |
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