Perda visual em idosos

Profa. Dra. Maria Elisabete Rodrigues Freire Gasparetto
CEPRE/FCM/UNICAMP

A prevalência da deficiência visual na população idosa é alta. A acuidade visual diminuída tem repercussões importantes na função visual e na capacidade funcional dos idosos(7).
Há na visão, várias alterações orgânicas comumente manifestadas durante o envelhecer que levam à diminuição da acuidade visual, a qual pode ser ou não restabelecida. A acuidade visual diminuída tem repercussões importantes na função visual e na capacidade funcional dos idosos.
Neste sentido, a perda de acuidade visual é considerada um sinal comum na população de idosos. Relaciona-se a velhice ao aparecimento de doenças oculares que podem levar à baixa visão, associando-se à perda da autonomia e independência. 
A baixa visão é relatada como o terceiro mais importante problema cronico do idoso, após as artrites e as cardiopatias e não podem ser corrigidas por cirurgias, tratamento clínico ou lentes convencionais, sendo indicada conduta reabilitacional.
Considera-se baixa visão, quando o valor da acuidade visual corrigida no melhor olho é menor do que 20/60 e maior ou igual a 20/400, ou o seu campo visual é menor do que 20 graus no melhor olho, com a melhor correção óptica.
Fonseca demonstra ser relevante o conhecimento e a avaliação dos problemas vivenciados pelos idosos com baixa visão, e os dados coletados nessa avaliação irão fornecer ferramentas necessárias para ajudá-los a manter ou adquirir uma boa qualidade de vida.
A melhora na qualidade da função visual do idoso está ligada com a qualidade de vida do mesmo, pois, sabe-se que os idosos que enxergam melhor sofrem menos quedas, cometem menos erros com medicações, apresentam menos depressão e menor isolamento social, são mais independentes e têm melhor qualidade de vida em suas casas, com menos perturbações emocionais, as quais, quando presentes, são atenuadas pela assistência médica adequada.

Muitos idosos sofrem com a perda da visão, vitalidade, dignidade, intimidade com os familiares e entes queridos e também a segurança financeira. São carências difíceis de encarar em si mesmo, mas, de alguma maneira vão ter que dar conta com a ajuda de familiares e dos profissionais que irão atendê-lo.
O Programa de Reabilitação Visual do Programa de Adolescentes, Adultos e Idosos do Centro de Estudos e Pesquisas em Reabilitação “ Prof. Dr. Gabriel Porto” – CEPRE,  da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp, por meio dos profissionais envolvidos tem como objetivo prestar serviços aos idosos com baixa visão, oferecendo subsídios e espaço para que possam tomar decisões por meio de todas as informações necessárias, favorecendo a melhora na auto-estima e proporcionando a maximização do uso da visão residual com ou sem auxílios ópticos.
Para ter acesso ao Programa de Reabilitação se faz necessária a avaliação, para que o profissional estabeleça o nível de dependência e o nível de dificuldades do indivíduo mas, o mais importante é conhecer as expectativas em relação à ele mesmo, à família e à equipe de trabalho. Esta avaliação é mais produtiva quando realizada por equipe interdisciplinar e em um ambiente que não seja clínico.

BIBLIOGRAFIA

Gasparetto, M.E.R.F& Nobre, M.I.R.S. Avaliação do funcionamento da visão residual: educação e reabilitação. In Masini, E.F.S. A pessoa com deficiência visual: um livro para educadores. São Paulo: Vetor, 2007.
Temporini, E.R. & Kara-José, N. A perda da visão – estratégias de prevenção. Arquivo Brasileiro de Oftalmologia, vol.67, no.4 São Paulo Julho/Agosto, 2004.
Nobre,M.I.R.S, Montilha, RCI, Temporini, ER. Pesquisa de qualidade de vida na deficiência visual. In Sampaio, MW, Haddad, MAO, Costa Filho HÁ, Siaulys, MOC. Baixa visão e Cegueira, Rio de Janeiro, Cultura Médica, 2009.pag.511-524.
World Health Organization – Global date on blindness. Genivè, WHO, 1995, 73(1): 115-120 (Bulletin of the World Health Organization, vol 73).