Teatro orienta alunos do ensino infantil sobre uso racional de medicamentos

Uma mãe apressada toma seu medicamento de uso contínuo e deixa-o sobre mesa. A filha, de cinco anos, toma o medicamento escondido da mãe. Minutos depois, começa a passar mal. A mãe, achando se tratar de dor de barriga, dá outro medicamento. Como a dor não passa, recorrem à vizinha, que ministra um chá “poderoso” à base de 30 ervas. A menina fica toda empipocada. Mãe e filha correm até a farmácia e ao final, vão parar no médico que dá o diagnóstico: intoxicação de medicamento. Este é o enredo da peça de teatro sobre o uso racional de medicamentos apresentada por alunos do curso de Farmácia da Unicamp para alunos de escolas públicas e particulares. O projeto faz parte da ação social da PHarmacêutica Jr. da Unicamp com apoio da Pró-Reitoria de Extensão e Assuntos Comunitários (PREAC).

De acordo com dados da Sinitox 2008, os medicamentos respondem por 30,71% das quase 50 mil intoxicações no país, sendo que 17,81% referem-se à intoxicação acidental. As crianças menores de cinco anos são as mais acometidas e responde por 25,69% dos casos de intoxicação acidental por medicamentos. Nos adultos de 20 a 29 anos, o índice é de 17,98%. No caso das crianças, o principal motivo das intoxicações é os pais deixarem os medicamentos em locais inadequadas e ao alcance das crianças. Alguns medicamentos são atrativos e tem gosto agradável, podendo ser facilmente confundidos com doces, por exemplo.

“Inicialmente, planejávamos fazer a campanha apenas com folhetos distribuídos em escolas. Conversando com as professoras Patrícia Moriel e Priscila Mazzola, elas sugeriram acrescentarmos palestra e teatro. Já apresentamos o teatro para 250 crianças de até oito anos de idade de um colégio particular de Campinas e ainda temos várias apresentações agendadas este ano. A receptividade e a interação com as crianças tem sido ótimas”, comentou Camilla Souza Rehen, aluna do quarto ano do curso de Farmácia que participa da peça.

Segundo Denise Tanaka Fonseca que também trabalha na peça juntamente com Aline Aparecida da Cruz e Larissa Saito da Costa, o teatro dura de 15 a 20 minutos. Elas confessam que ficaram aflitas com receito de não conseguirem passar a mensagem da história para as crianças. Mas perguntando e vendo a reação espontânea das crianças e a identificação com as personagens, elas descobriram que a peça funciona. “Teve um garoto que veio contar que simulava estar doente para a mãe dar medicamento. A história serve para eles refletirem”, disse Denise.

Na peça, quando a menina tomava o medicamento escondido da mãe e oferecia para as crianças da platéia, todos queriam, sem saber o que era aquilo que ela estava tomando. Na opinião da professora do Departamento de Patologia Clínica da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) e do curso de Farmácia da Unicamp, Patrícia Moriel, isso é uma alerta para pais e professores. “Pior que ser um medicamento, poderia ser droga. Eles querem tomar!”, alertou Patrícia.

O primeiro resultado observado pela orientadora do projeto na escola em que a peça está sendo apresentada foi a conscientização de professores e diretores sobre a aplicação de medicamentos nos alunos. A partir de agora, caso o aluno tenha alguma dor, o pai ou mãe será comunicado e o medicamento será ministrado pelo próprio responsável pela criança ou pela escola, mediante receita médica. “Há medicamentos que são isentos de prescrição médica e podem ser ministrados por farmacêuticos. Mas uma dor pode representar várias doenças. Se ocorrer uma intoxicação, ninguém vai querer saber se a escola fez por bem ou por mal. Alertamos sobre isso também na palestra que fazemos nas escolas e colégios”, explicou Patrícia.

Quem desejar convidar as alunas do curso de Farmácia para uma apresentação, basta ligar para (19) 3521-8884 ou enviar um e-mail para projetosocial.ph@gmail.com ou morielpa@fcm.unicamp.br.  A apresentação e a palestra não tem custo para a escola ou colégio.

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