Foi realizado, de 25 a 28 de abril, o webinário “Financiamento das instituições públicas de saúde: O papel das fundações de apoio e da saúde complementar – construção de soluções na Unicamp”. O evento, ocorrido em formato híbrido, foi sediado no auditório do Instituto de Otorrinolaringologia - Cabeça e Pescoço da Unicamp (IOU).

Organizada pela Diretoria Executiva da Área de Saúde (DEAS) e Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp, a programação contou com o apoio do IOU, Hospital de Clínicas (HC), Hospital da Mulher “Prof. Dr. José Aristodemo Pinotti” (Caism), Hemocentro e Gastrocentro. A programação reuniu diversas autoridades e gestores de saúde, da Unicamp e outras universidades, para discussões em torno do tema.

Elaine Ataíde, João Renato Bennini Júnior, Cláudio Coy, Antonio José Meirelles, Maria Luiza Moretti, Agrício Crespo e Oswaldo Grassiotto na abertura do webinário. Foto: Karen Moraes/ARPI
Elaine Ataíde, João Renato Bennini Júnior, Cláudio Coy, Antonio José Meirelles, Maria Luiza Moretti, Agrício Crespo e Oswaldo Grassiotto na abertura do webinário. Foto: Karen Moraes/ARPI

Mesa de abertura

Na manhã da abertura, no dia 25, participaram: Cláudio Coy, diretor da FCM; Elaine Cristina de Ataíde, superintendente do HC; João Renato Bennini Júnior, superintendente do CAISM; Agrício Nubiato Crespo, diretor do IOU; Oswaldo Grassiotto, diretor-executivo da DEAS; Maria Luiza Moretti, coordenadora-geral da Unicamp; e Antonio José de Almeida Meirelles, reitor da Universidade.

Cláudio Coy destacou que o webinário é uma continuação do evento que ocorreu em 2020, na perspectiva de inauguração do IOU, como forma de viabilizar alternativas de financiamento da unidade. “A FCM está profundamente inserida em todos hospitais e na área de saúde da Unicamp. Um fortalecimento dessas áreas é fundamental para uma atuação intensa da Faculdade”. O diretor também agradeceu presença de todos convidados e participantes.

Diretor da FCM, Cláudio Coy, lembra da inserção da unidade na área da saúde. Foto: Karen Moraes/ARPI
Diretor da FCM, Cláudio Coy, lembra da inserção da unidade na área da saúde. Foto: Karen Moraes/ARPI

Oswaldo Grassiotto afirmou que a DEAS passa por um momento de recomposição financeira pós-pandemia. Segundo o diretor-executivo, nos últimos 10 anos foi adotado modelo de liberação de recursos pelo governo federal e estadual que subtrai parte da dotação orçamentária que iria diretamente para a saúde, e a aloca para emendas parlamentares ou de bancadas. “Aqueles que foram atrás desses recursos obtiveram volumes expressivos”, declarou.

Osvaldo Grassiotto (DEAS) fala de importância dos recursos advindos do Legislativo. Foto: Karen Moraes/ARPI
Osvaldo Grassiotto (DEAS) fala de importância dos recursos advindos do Legislativo. Foto: Karen Moraes/ARPI

“É urgente pensarmos maneiras de nos tornarmos autossustentáveis dentro do escasso equilíbrio orçamentário. Esse tipo de tratativa é muito importante. Movimentos como esse é que vão alicerçar para que essas mudanças sejam feitas, até do ponto vista legal, no futuro”, disse Elaine Ataíde, ressaltando a necessidade de se pensar alternativas ao financiamento atual.

Para João Renato Bennini Júnior, o tema é estratégico para a universidade, a área da saúde e as unidades. “No Caism estamos muito imbuídos de achar soluções para essa questão do financiamento. Esse é o momento oportuno para isso. É fundamental que tenhamos boas ideias e força para implementá-las. Isso vai ser o grande diferencial”.              

Retomando as discussões do primeiro webinário, Agrício Crespo, diretor do IOU, declarou que “existem soluções múltiplas, mas que acabam convergindo, pois os problemas se repetem nas instituições. Esse evento é mais uma chamada à reflexão sobre o papel das fundações de apoio, bem como o da saúde suplementar, que na Unicamp não é uma prática estabelecida”.

“A área da saúde da Unicamp tem parte de seus recursos que vem diretamente da universidade, diferentemente de outras unidades, em que o recurso vem do estado ou federação. Com a complexidade causada pelo aumento da população e a necessidade de novas medicações, tratamentos, terapêuticas, diagnósticos e especialidades, esse modelo se tornou insuficiente. Precisamos abrir novos modelos de gestão, mais enxutos e resolutivos, que tragam segurança financeira e oportunidades para que continuemos seguindo como uma área de ensino de ponta. Para isso, necessitamos de financiamento, pessoas qualificadas e equipamentos atualizados, mantendo a área da saúde em consonância com a modernidade”, disse Maria Luiza Moretti.

O reitor Antonio José Meirelles ressaltou que a questão do financiamento na Unicamp é influenciada pela universidade, mas também depende do mundo externo e das autoridades políticas. “Como administração, o que temos feito é alocar recursos, na medida do possível, para recuperar nossos equipamentos de saúde. Além disso, qualquer solução para a área de saúde passa por interação intensa com os poderes Executivo e Legislativo em todas as esferas. Nossos hospitais têm feito isso: aproximar o que fazemos daquilo que é requisitado pela população. Devemos ter disponibilidade permanente para o diálogo, negociando soluções que sejam capazes de levar em consideração esse conjunto de perspectivas e interesses”.

Carta de intenções

Ao final do evento, foi elaborada pelos organizadores carta de intenções, apontando para a necessidade de migrar, paulatinamente, as áreas de saúde da Unicamp para um modelo de financiamento mais atrativo e competitivo.

Entre os pontos listados, estão: a permissão de uso de área pública para prestação de serviços públicos e privados por meio de autarquia ou outra figura jurídica, com autonomia administrativa-financeira; e a diversificação da captação de recursos por fundação de áreas de saúde, abrangendo pesquisa clínica, cursos de capacitação, campanhas de doação, inovação, dentre outros.

O documento também aponta o exemplo do IOU, que completou 10 meses, construído com verba do Ministério do Trabalho. A unidade foi concebida com a intenção de atender pacientes SUS e uma porcentagem a ser combinada de pacientes privados, como forma de ativar adequadamente a sua capacidade instalada. 

Confira a programação na íntegra

Dia 25: https://www.youtube.com/watch?v=rXnjtCdT1Gg

Dia 26: https://www.youtube.com/watch?v=G8mL4GqYMRs

Dia 27: https://www.youtube.com/watch?v=2bK9iEFArRU

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