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ISSN: 2595-9050

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As grandes conquistas são aquelas que pareciam impossíveis

Data de publicação
07 nov 2018

Nem sempre as coisas saem como o planejado e prova disso são as especialidades escolhidas pelos recém-formados médicos, é o que atesta Juliana Vedovato, médica-residente da Área de Saúde do Trabalhador da Unicamp.

juliana
Ser médica, na visão de Juliana quando criança

“Iniciei a graduação em 2011, após dois anos exaustivos de cursinho, e realizei um dos meus sonhos de menina: entrar em Medicina na Unicamp para me tornar uma grande cirurgiã cardíaca. A ideia da especialidade surgiu durante o curso técnico de enfermagem, quando pude acompanhar um transplante cardíaco; e quem já participou de um, sabe o quão maravilhoso é”, revela.

As dúvidas surgiram nos primeiros anos, o cansaço das provas era cada vez maior e o objetivo não parecia mais tão determinante como antes. A vida de cirurgiã, a qual exige muita dedicação, noites de sono perdidas, horas de lazer sacrificadas, apesar de toda gratificação profissional e pessoal, não se adequava à nova Juliana.

No quarto ano, após ter contato com diversas áreas, como a Clínica Médica, Pediatria, Ortopedia, Radiologia, dentre outras, ela iniciou o estágio de Medicina do Trabalho, uma especialidade que mal sabia que existia. Foram duas semanas de atendimento aos trabalhadores no Hospital de Clínicas (HC), discussão de casos, aulas com os docentes e visitas a empresas da região sob supervisão, o que despertou sua curiosidade, especialmente por me ser um ambiente tão familiar.

Meu pai e avô trabalharam em uma grande companhia de telecomunicações e, eventualmente, me levavam para nossas ‘aventuras’; eu amava, me sentia importante e até o cheiro dos equipamentos me traziam boas recordações, diz.

Para Juliana, o estágio foi uma experiência muito especial, onde ela pode reconhecer a apontar riscos, conversar com os funcionários e propor mudanças, inclusive realizar diagnósticos de intoxicação por chumbo em ocasião de visita à uma fábrica de baterias.

“Confeccionar o relatório deu uma satisfação que há tempos não sentia na graduação, e percebi que a Medicina do Trabalho seria uma excelente opção para seguir a minha carreira médica”, cometa.

Como todos os colegas de curso, pediu a opinião da família e amigos sobre a provável decisão e recebeu muita reprovação, uma vez que pouco as pessoas conheciam acerca da real importância que o médico do trabalho tem na vida e saúde das pessoas.

“Onde passamos a maior parte do nosso tempo quando não estamos dormindo, nos alimentando, deslocando ou cuidando da higiene pessoal e necessidades básicas? No trabalho! Portanto, não há melhor ambiente e momento para o médico ser promotor de saúde na vida de seus pacientes e na sociedade”, pontua.

A decisão em fazer residência em Medicina do Trabalho se concretizou durante o internato, quando os plantões pareciam eternos e trouxeram sofrimento, levando ao seu adoecimento.

Com a ajuda daqueles que me amam, terminei a graduação e me tornei médica. Não tive a menor dúvida em optar pela Medicina do Trabalho como especialização, confessa.

Na residência médica da Unicamp, Juliana relata que foi acolhida como se já fosse aguardada há muito tempo. Ao longo do primeiro ano, participou da implantação do projeto piloto que levou a saúde ocupacional para a atenção primária, oferecendo à Unidade Básica de Saúde do Jardim Rosália novas possibilidades. No segundo ano, o qual concluirá em breve, estagiou em diversas empresas e órgãos públicos, e pode conhecer muitos colegas da área, que lhe possibilitaram grande aprendizado e crescimento pessoal e profissional.

“A Medicina do Trabalho precisa ser grande e caminha para isso. Sei que minha carreira está apenas começando e que há muito a se fazer, mas me sinto animada com as oportunidades que estão por vir e com as vidas que poderei ajudar, assim como almejei aos sete anos”, diz Juliana, que se lembrou de uma frase inspiradora de Charlie Chaplin: “Let us strive for the impossible. The great achievements throughout history have been the conquest of what seemed the impossible”.


Juliana Vedovato é residente da Área de Saúde do Trabalhador da Unicamp