Boletim FCM  

FCMunicamp

 


ISSN: 2595-9050

Printer Friendly, PDF & Email

O ensino da história da medicina

Data de publicação
15 fev 2019
Plátano
FCM é a terceira escola médica no Brasil a receber uma muda de árvore doada pela Fundação Hipocrática Internacional

O ensino da história da medicina teve início, no Brasil, com a Cadeira de Higiene e História da Medicina, em 1832, nas duas Escolas Médicas do Império - a Faculdade de Medicina da Bahia e a Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, ambas criadas em 1808. Essa disciplina foi lecionada até 1891, quando foi extinta pela reforma republicana.

Foi necessário esperar mais de meio século até que, em 1947, foi proposta por Ivolino de Vasconcellos (1917-1995), grande batalhador pelos estudos de História da Medicina em nosso país, a Cátedra de História da Medicina da Faculdade Nacional de Medicina (nome da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro entre 1937 e 1965).

Dois anos antes, em 1945, ele fundara, juntamente com outros colegas, o Instituto Brasileiro de História da Medicina. Em 1949, começou a publicar a Revista Brasileira de História da Medicina, que teve curta duração. Em 1951, organizou e presidiu o Primeiro Congresso Brasileiro de História da Medicina, no Rio de Janeiro, o segundo em 1953 (Recife), o terceiro em 1958 (Rio de Janeiro); somente em 1999, em São Paulo, seria realizado o quarto congresso.

A partir dessa data não houve interrupção na realização desse evento, cuja iniciativa deve-se à Sociedade Brasileira de História da Medicina, criada em 1997. Sua sede encontra-se no Museu "Carlos da Silva Lacaz", localizado na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Tem como objetivos incentivar o estudo e a pesquisa da história da medicina, proporcionar o intercâmbio de informações nessa área de conhecimento, contribuir para a preservação da memória da medicina brasileira, divulgar trabalhos relevantes sobre o tema e incentivar o ensino da História da Medicina nas Faculdades e Escolas de Medicina. Em 2018, promoveu o 23º Congresso Brasileiro de História da Medicina, em Manaus.

Cerca de 16 escolas médicas contam com cursos de História da Medicina, sendo sete opcionais e nove curriculares. O mais antigo data de 1963, na Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, de caráter obrigatório. Atualmente, seu ensino está previsto na disciplina História da Medicina e Introdução à Ciências Sociais Aplicada, com carga horária de 60 horas, durante o primeiro ano do curso.

LycurgoA Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp, nos anos iniciais de sua formação, teve um curso de História da Medicina, ministrado pelo professor Lycurgo de Castro Santos Filho, junto ao Departamento de Medicina Preventiva e Social. No programa de 1966, o curso iniciava-se pela Metodologia da História da Medicina (fundamentos ou bases, fontes periodização; estudos médico-históricos no mundo e no Brasil) e fazia um longo percurso desde os tempos pré-históricos, Antigüidade, Idade Média, Idade Moderna e Medicina no Brasil e Medicina Americana. O curso era ministrado em aulas teóricas e seminários, às quintas-feiras, nos dois semestres, para os alunos do primeiro ano.

Além da retomada dos congressos de história da medicina e das atividades da Sociedade Brasileira de História da Medicina, muitos outros indícios apontam para o crescente interesse pelo assunto: o aumento dos estudos históricos de modo geral, a existência de periódicos especializados em História das Ciências e/ou da Medicina - História, Ciências, Saúde-Manguinhos, editado pela Casa de Oswaldo Cruz/Fiocruz, Episteme (do Grupo de Investigação em Filosofia e História das Ciências – GIFHC, da UFRS), Revista da Sociedade Brasileira de História da Ciência, Manuscrito (CLE – Centro de Lógica, Epistemologia e História da Ciência/Unicamp), entre outros.

O surgimento de vários grupos de pesquisa sobre esse tema em diferentes universidades e instituições e a oferta, na pós-graduação de mestrado e doutorado da Casa de Oswaldo Cruz/Fundação Oswaldo Cruz, do curso de História das Ciências e da Saúde, com áreas de concentração em História da Medicina e das Doenças, História das Ciências Biomédicas, História das Políticas, Instituições e Profissões em Saúde, apontam para o interesse sobre história da medicina. Um dos mais recentes Grupos de Estudos é o Khronos – Grupo de Pesquisa “História da Ciência, Medicina e Epistemologia” do Instituto de Estudos Avançados da USP. O Khronos foi criado em 2016 com o objetivo geral de investigar “de um ponto de vista histórico e epistemológico, o conhecimento científico produzido na Universidade de São Paulo, notadamente pelas ciências da saúde e áreas correlatas”.

Em Campinas, a Sociedade de Medicina e Cirurgia de Campinas conta com uma Seção de História da Medicina, coordenada por Cristina Brandt Friedrich Martin Gurgel, professora da PUC-Campinas e membro do Grupo de Estudos de História das Ciências da Saúde (GEHCSaúde) da FCM da Unicamp.Tanto o Centro de Memória e Arquivo como o GEHCSaúde desenvolvem atividades que contribuem para a pesquisa e divulgação da história da Medicina na instituição.

Simbolizando o desejo de manter nossas raízes vivas e próximas, em outubro de 2017 foi plantada, nos jardins da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp, uma muda da árvore de Hipócrates - Platanus orientalis. "“Há apenas 43 mudas plantadas em todo mundo. Somos a terceira escola médica a receber esse plátano no Brasil" diz o chefe do Departamento de Saúde Coletiva da FCM, Flávio Cesar de Sá.