Desospitalização é tema de encontro de representantes da Saúde de 42 municípios da macrorregião de Campinas

Enviado por Edimilson Montalti em qua, 06/11/2019 - 15:01

Em 1997, no jornal Folha de S.Paulo, o jornalista Luis Nassif escreveu que “o pilar central da revolução que ocorre no setor de saúde, em âmbito mundial, é um palavrão: desospitalização, tirar o paciente do hospital”. Passados pouco mais de 20 anos, experiências exitosas aconteceram em países como Holanda, Canadá, Estados Unidos e na Santa Casa de Misericórdia de Santos, que há três anos implantou o projeto de desospitalização segura.

A desospitalização consiste em terminar o tratamento do paciente em outro ambiente, que não o hospital. Pacientes que necessitam apenas de antibióticos, por exemplo, podem terminar o tratamento em casa. Outros casos, em centros, ambulatórios médicos especializados ou unidades básicas de saúde. Especialistas apontam que essa nova modalidade de cuidado do paciente é uma tendência mundial motivada pelo aumento da população idosa, das doenças crônicas, de casos de câncer e custos da saúde.

Representantes de 42 municípios que compõem o Departamento Regional de Saúde de Campinas (DRS7) se reuniram na manhã de quarta-feira (30), no auditório da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp, para trocar experiências sobre essa forma de gestão que foca o rodízio oportuno e responsável de leitos. A região de Campinas possui, aproximadamente, 3 mil leitos hospitalares oferecidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Veja aqui a programação e palestrantes convidados.

“O leito hospitalar é apenas um componente do cuidado. Não estamos falando em transferência, mas sim em transmissão e continuidade dos cuidados em outro local. Quando decidimos pela desospitalização, temos que ter certeza de que o paciente será bem cuidado onde ele estiver”, disse a médica pneumologista e coordenadora da DRS7, Mirella Povinelli, durante a abertura do I Fórum Regional de Desospitalização Clínica.

De acordo com o superintente do Hospital de Clínicas (HC) da Unicamp, Antonio Gonçalves de Oliveira Filho, a desospitalização consciente e responsável fará bem ao paciente e aos hospitais da macrorregião de Campinas, que poderão disponibilizar leitos que hoje estão ocupados, evitando, assim a superlotação.

“Os pacientes com doenças menos complexas poderão ser tratados em seu município de origem e as vagas hospitalares poderão ser liberadas para pacientes de tratamentos de alta complexidade. A desospitalização é possível, pois tem metodologia e planos de ação bem estruturados”, disse Antonio.

Segundo Mirella, DRS7 tem a intenção, após o evento, de formar um grupo condutor regional que terá a participação dos grandes hospitais do Estado, de Campinas e região. “Isso será proposto aos municípios e representantes dos hospitais. Faremos planos de ação e projetos pilotos para implementar as ações de desospitalização. Buscamos, sempre, a saúde humanizada”, reforçou Mirella.