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ACURÁCIA DIAGNÓSTICA DA ELASTOGRAFIA NA AVALIAÇÃO DE LESÕES MAMÁRIAS: IMPACTO NA SENSIBILIDADE, ESPECIFICIDADE E ACURÁCIA DA ULTRASSONOGRAFIA E SEU REAL BENEFÍCIO CLÍNICO

Candidato(a): Maíra Teixeira Dória
Orientador(a): Luis Otavio Zanatta Sarian



Apresentação de Defesa
Curso: Mestrado em Tocoginecologia
Local: Anfiteatro do Subsolo do CAISM
Data: 20/08/2018 - 09:00 hrs
Banca avaliadora
Titulares
Luis Otavio Zanatta Sarian - Presidente
Cicero de Andrade Urban - Universidade Positivo
Cesar Cabello Dos Santos
Suplentes
Ruffo de Freitas Junior - Universidade Federal de Goiás
Rodrigo Menezes Jales

Resumo


Objetivo: Avaliar a performance diagnóstica e o benefício clínico da elastografia Shear Wave Elastografy – Virtual TouchTM Imaging Quantification (SWE-VTIQ) como complemento à classificação BI-RADS (Breast Imaging-Reporting and Data System) da ultrassonografia. Métodos: Estudo observacional, transversal e analítico de validação diagnóstica seguindo os critérios do STARD (Standard for Reporting of Diagnostic Accuracy Studies), com coleta de dados prospectiva, realizado no Hospital da Mulher Professor Dr. José Aristodemo Pinotti – CAISM-Unicamp. No período de outubro de 2016 a junho de 2017, 357 mulheres com 396 lesões mamárias detectáveis à ultrassonografia e que consentiram em participar desse estudo foram sumetidas aos exames de ultrassonografia (US) modo B e elastografia. As lesões foram classificadas seguindo os critérios do BI-RADS. Quatro parâmetros elastográficos quantitativos foram avaliados: Vmax (velocidade máxima), Vmed (velocidade média), Vratio(max) (razão entre a Vmax e a velocidade de propagação no parênquima mamário adjacente) e Vratio(med) (razão entre a Vmed e a velocidade de propagação no parênquima mamário adjacente). A avaliação histopatológica da lesão foi considerada o padrão ouro para definição de malignidade ou benignidade. Lesões classificadas como BI-RADS 3 foram consideradas benignas caso se apresentassem estáveis em um período de seguimento de dois anos, mesmo sem avaliação histopatológica. A performance dos quatro parâmetros elastográficos foi avaliada através da sensibilidade, especificidade e área sob a curva ROC (receiver operator characteristics). O parâmetro com melhor desempenho foi escolhido para ser testado em diferentes abordagens diagnósticas, definidas de acordo com a prática clínica: classificação BI-RADS (US modo B); elastografia para todos os nódulos; elastografia para BI-RADS 3; elastografia para BI-RADS 3 ou 4A; elastografia para BI-RADS 4A; elastografia para BI-RADS 4A ou 4B. O desempenho diagnóstico de cada abordagem, além do número de biópsias que teriam sido realizadas em cada situação, foram calculados para determinar o benefício clínico da elastografia. Resultados: Dos 396 nódulos avaliados, 122 (30.8%) eram benignos e 274 (69.2%), malignos. As velocidades de todos os parâmetros elastográficos foram significativamente maiores nas lesões malignas (p<0.001). Na análise comparativa entre os parâmetros, Vmax e Vratio(max) tiveram desempenho significativamente melhor do que a Vratio(med) (p=0.01 e p=0.03, respectivamente). A elastografia aumentou a especificidade da US modo B em todas as abordagens diagnósticas, exceto quando utilizada para os nódulos BI-RADS 3. A elastografia reduziu o número de biópsias em 25% quando utilizada para os nódulos BI-RADS 4A e em 54.4% quando utilizada para os nódulos BI-RADS 4A ou 4B. Entretanto, nessa última abordagem, treze lesões malignas de um total de 274 (4.7%) teriam sido erroneamente classificadas como benignas. Conclusão: A elastografia SWE-VTIQ é um método capaz de aumentar a especificidade da US quando empregada para lesões BI-RADS 4A, reduzindo significativamente o número de biópsias desnecessárias, sem que haja um prejuízo para o diagnóstico de lesões malignas clinicamente significativas. Quando empregada também para as lesões BI-RADS 4B, há um aumento do número de falsos negativos, o que deve ser avaliado com cautela na prática clínica.