Economia e política põem em risco saúde do trabalhador

A psiquiatra Edith Seligmann Silva, professora aposentada do Departamento de Medicina Preventiva da Universidade de São Paulo, foi a convidada de honra do curso de capacitação em saúde mental relacionada ao trabalho da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp. A abertura aconteceu na quinta-feira (23) à noite, no Salão Nobre da faculdade.

De acordo com a fonoaudióloga Helenice Nakamura, a proposta do evento é discutir a saúde mental relacionada ao trabalho no contexto do Sistema Único de Saúde, além de sensibilizar as pessoas sobre um tema que está cada vez mais presente no dia a dia da prática clínica.

“O trabalho não pode ser desconsiderado como um importante determinante de saúde e de adoecimento. Foi pautado nessas questões que tivemos a iniciativa de fazer esse curso, destinado aos profissionais da rede de saúde e que durará até novembro. Para 2017, faremos também um curso de extensão na área”, explicou Helenice.

A coordenadora adjunta do Cepre, Maria Elisabete Gasparetto, parabenizou a iniciativa e ficou surpresa com a quantidade de inscritos - 155 pessoas - e mais interessados na fila de espera para entrar no curso. Roberto Teixeira Mendes, diretor associado da FCM, disse que a faculdade está contente em sediar o curso.

“O campo da saúde e do trabalho são amplos. Quando associamos os dois e adicionamos a saúde mental, os recortes e enfoques são diversos. Esse campo é complexo e desafiador e temos certeza do sucesso do curso”, disse Teixeira.

Edith Seligmann Silva disse que poucas faculdades de medicina no Brasil tem essa disciplina e que a missão da Universidade é formar pessoas para essa área, de uma maneira multi e interdisciplinar e, ao mesmo tempo, zelar pela saúde mental do mais humilde funcionário da limpeza até o professor, o chefe do departamento, os pesquisadores e funcionários em geral.

“Há poucos especialistas nessa área perto da demanda e da problemática atual, na medida em que a Economia se perverteu. A Economia nasceu para servir a sociedade e, hoje em dia, é a sociedade quem serve ao poder econômico. E com isso os valores humanos – a saúde humana – passa a ser subordinada aos interesses financeiros e ao poder político. Quanto menos consciência e cultura política e mais pobreza, maior o risco para a saúde da população que trabalha”, alertou a especialista que participará de outros encontros na FCM nos próximos meses.

O curso de capacitação em saúde mental relacionada ao trabalho é organizado pelo Centro de Estudos e Pesquisas em Reabilitação "Prof. Dr. Gabriel Oliveira O.S. Porto" e pelo programa de Residência Multidisciplinar em Saúde Mental e Coletiva, com o apoio do Centro de Educação dos Trabalhadores da Saúde (CETS) da Prefeitura Municipal de Campinas.