Livro aborda coinfecção entre doença de Chagas e HIV

Hoje em dia, fala-se muito sobre o vírus zika, dengue e chikungunya e pouco sobre doença de Chagas. Há explicação para este fato. A infecção pelo vírus zika é aguda, com grande morbidade e graves complicações. O Aedes aegypti está presente nos mais diferentes locais, independente de classe econômica, social ou barreiras físicas, acometendo as pessoas. Com a doença de Chagas não ocorre a mesma coisa. A fase aguda passa despercebida na maioria dos casos, uma vez que a infecção ocorre na infância, e a fase crônica é diagnóstica quando o paciente já está adulto.

A doença de Chagas está entre as 17 doenças da lista da Organização Mundial da Saúde consideradas negligenciadas. No entanto, no Brasil, a doença de Chagas ainda está presente em dois milhões de pessoas, na fase crônica, não se sabendo bem onde estão estes doentes e como estão sendo conduzidos. E desde 1988, os relatos de coinfecção de pacientes com doença de Chagas pelo vírus HIV começaram e se multiplicar no país. O Brasil registra o maior número de casos descritos na literatura sobre a coinfecção Trypanosoma cruzi/HIV.

“Considerando que no Brasil a estimativa para o número de pessoas com HIV/Aids é de 600 mil, os coinfectados corresponderiam a 0,04%. Estimando-se em aproximadamente dois milhões de chagásicos, o percentual seria de 0,01% em relação à doença de Chagas. Assim, supõe-se que existam 7.560 coinfectados em nosso país. É provável que este número esteja subestimado”, revela Eros Antonio de Almeida, médico da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp no livro “Epidemiologia e clínica da coinfecção – Trypanosoma cruzi e vírus da imunodeficiência adquirida”, publicado pela Editora da Unicamp.

De acordo com Eros, a ideia do livro nasceu durante o período em que foi coordenador da Rede de Atenção e Estudos em Coinfecção Trypanosoma cruzi/HIV, entre 2009 e 2012. O livro é uma coletânea de artigos escritos por pesquisadores brasileiros e estrangeiros sobre a coinfecção T.cruzi/HIV/Aids. A obra destaca aspectos epidemiológicos, clínicos, diagnósticos, terapêuticos de ambas as doenças e a reativação da doença de Chagas.

“Os capítulos foram escritos por colegas com grande experiência no tema. Há relatos de experiências de casos, como os da Unicamp. A principal novidade é que esta é a única obra deste tipo até o momento, permitindo ao leitor economizar o tempo que seria gasto em pesquisa da literatura para se ter as mesmas informações”, disse Eros.

 

Serviço:
Título: Epidemiologia e clínica da coinfecção
Organizador: Eros Antonio de Almeida
ISBN: 978-85-268-1279-6
Páginas: 328
Dimensões: 16x23 cm
Editora da Unicamp
Preço: R$ 52,00
www.editoraunicamp.com.br