Pesquisa aponta estado nutricional e insatisfação de adolescentes com o peso

Meninos, entre 10 e 14 anos, apresentam maior prevalência de excesso de peso, mas são as meninas mais velhas, entre 15 e 19 anos, que manifestam maior insatisfação com o peso corporal. Estes são alguns apontamentos da pesquisa intitulada “Estado nutricional de adolescentes e sua insatisfação com o peso corporal: estudo de base populacional”, defendida recentemente pela nutricionista Mariana Contiero San Martini no Programa de Pós-Graduação em Saúde da Criança e do Adolescente, da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp.

Desdobrada em dois artigos, a pesquisa foi orientada pelo médico pediatra Antonio de Azevedo Barros Filho e co-orientada pela nutricionista Daniela de Assumpção. A primeira etapa do estudo avaliou as prevalências do estado nutricional e de satisfação e insatisfação com o peso corporal em 822 adolescentes, do sexo masculino e feminino, de 10 a 19 anos, residentes do município de Campinas.

Os meninos apresentaram maior prevalência de excesso de peso (30,46%), em comparação às meninas (22,18%), superando os parâmetros nacionais, em que 21,5% dos meninos e 19,4% das meninas têm excesso de peso. Os adolescentes mais velhos, de 15 a 19 anos, com sobrepeso e obesidade demonstraram maior prevalência de insatisfação com o peso corporal, quando comparados aos mais jovens, de 10 a 14 anos, nesses mesmos estados nutricionais.

Mesmo com o peso adequado (eutrófico), muitos adolescentes estão insatisfeitos com os resultados da balança. Foi o que constatou a segunda etapa da pesquisa, depois de avaliar 573 adolescentes nessa condição, e verificar a insatisfação com o peso corporal em 43,76% dos indivíduos eutróficos. Maiores prevalências de insatisfação com o peso corporal foram verificadas nos indivíduos de 15 a 19 anos, do sexo feminino, com melhor nível socioeconômico, ex-fumantes, que relataram ingerir bebida alcoólica e possuir uma, ou mais, doença(s) crônica(s).

 “As meninas são mais influenciadas pela mídia na imposição do padrão de beleza, apresentam-se, de modo geral, mais atentas às características corporais valorizadas e são mais suscetíveis à insatisfação corporal. Enquanto os meninos, muitas vezes, escondem as suas preocupações com a estética, tem uma menor disseminação do corpo ideal e incentivo para alcançá-lo, sendo menos vulneráveis aos meios de comunicação”, explica Mariana.

A adolescência, segundo a pesquisadora da FCM, é uma fase de transição da infância para a vida adulta, marcada por constantes modificações biológicas, cognitivas e psicossociais. “As imagens que construímos e reconstruímos em relação ao corpo real e aquele que desejamos, ocorrem durante toda a vida, mas é na adolescência que há alteração do posicionamento do nosso corpo perante o mundo”, explica.

De acordo com Mariana, ao almejar um corpo diferente do atual, influenciados pelos paradigmas de beleza, alguns adolescentes adotam comportamentos inadequados para a saúde, como a omissão de refeições, restrição alimentar, uso de medicamentos, fórmulas ou produtos para ganho de peso ou massa muscular, dentre outros. “A adolescência é uma etapa da vida em que há maior necessidade energética e de nutrientes, desta forma, tais comportamentos podem representar riscos à saúde, podendo afetar o crescimento e o desenvolvimento dos adolescentes e até mesmo contribuir para o surgimento de transtornos alimentares”, alerta.