Departamento de Neurologia

Histórico

          A criação do Departamento de Neurologia ocorreu em 1966 com o Concurso de Títulos para chefia do mesmo, sendo vencedor o Prof. Dr. Oswaldo de Freitas Julião e, tendo como tema da aula inaugural “Etiologia das Doenças Neurológicas”. O Prof. Julião vinha da Faculdade de Medicina da USP, onde exercia o cargo de Professor de Neurologia e também exercia atividades didáticas junto à Faculdade de Medicina de Sorocaba.

          Considerado um dos grandes semiólogos, destacou-se também no setor de neuropatias periféricas, particularmente na descrição inicial da Neuroamiloidose, embora sem explicitar esta denominação. Exímio semiologista e excelente didata, o Prof. Julião dirigiu o recém-formado Departamento nos moldes da escola neurológica europeia.

          Da criação do Departamento de Neurologia até 1973, o Prof. Julião contou com a colaboração transitória dos seguintes profissionais: Roque José Balbo, Antonio Xavier de Lima Neto, Lineu Corrêa Fonseca, Paulo Bearzoti, Antonio Roberto M. da Silva e Rubens L. Ribeiro Machado. Neste período foram contratados os Professores Nubor Orlando Facure (1967)  e José Jorge Facure (1969).

          Em 1973, após o falecimento do Prof. Julião, o Prof. Nubor Orlando Facure passou a coordenar o Departamento de Neurologia, imprimindo uma orientação voltada primordialmente para a Neurocirurgia, iniciando residência de Neurocirurgia, cujo primeiro ocupante foi o Dr. Joaquim N. Cruz Neto. Com a chegada de Alberto Pellegrini Filho e Dagoberto Callegaro seguiu-se o desenvolvimento da Neurologia Clínica como núcleo disciplinar, sendo criado, em 1974, a residência de Neurologia Clínica, inicialmente ocupada por Anamarli  Nucci e Pedro Lupércio Gonçalves.

          Após a defesa de sua tese de doutorado, Alberto Pellegrini Filho licenciou-se, ocupando cargos relacionados à saúde pública. Dagoberto Callegaro retornou à Faculdade de Medicina da USP, onde é atuante professor.

          A constituição da Disciplina de Neurologia Clínica, como a encontramos hoje, iniciou-se com a contratação de Anamarli Nucci (1976), Carlos Alberto Mantovani Guerreiro (1978), Jayme Antunes Maciel Jr. (1979), Elizabeth Maria Aparecida Barasnevicius Quagliato (1980), Benito Pereira Damasceno (1986), Diosely de Castro Silveira (1988),  Fernando Cendes (1998), Li Li Min (2002),  Marcondes Cavalcante França Jr. (2011), Tânia Aparecida Marchiori Oliveira Cardoso (2011), Márcio Luiz Figueredo Balthazar (2015) e Clarissa Lin Yasuda (2015).

          A Profa. Vanda Maria Gimenes Gonçalves (1977) encarregou-se da Disciplina de Neurologia Infantil. A criação da residência em Neurologia Infantil em 1978, como primeira nessa especialidade a ser reconhecida em nível nacional pelo MEC (1980), foi marco fundamental para a Disciplina, formando futuros docentes: Ana Maria Sedrez Gonzaga Piovesana (1984) e Marilisa Mantovani Guerreiro (1986). Em 1988, a Disciplina de Neurologia Infantil foi enriquecida com a colaboração e experiência acadêmica da Profa. Dra. Maria Valeriana Leme de Moura Ribeiro, egressa da Faculdade de Medicina da USP-Ribeirão Preto, acrescentando realce em nível nacional. À seguir chegaram aqui Maria Augusta Santos Montenegro (2004) , Silvyo David Araújo Giffoni (2007, por breve período) e  Ana Carolina Coan (2015).

          Com a contratação dos Profs. Antonio Guilherme Borges Neto (1982), Antonio Augusto Roth-Vargas (1985), Elson de Araújo Montagno (1985), Donizeti Cesar Honorato (1986), José Nazareno Pearce de Oliveira Brito (1987), Edmur Franco Carelli (1997), Evandro Pinto da luz Oliveira (2004) e Helder Tedeschi (2004),  consolidou-se a Disciplina de Neurocirurgia.

          O Setor de Psicologia do Departamento de Neurologia iniciado com a Profa. Elisabete Abib Pedroso de Souza (1978), complementou-se com a chegada de Sylvia Maria Ciasca (1981).

          O Departamento de Neurologia estava crescendo e o atendimento multidisciplinar começou a desenhar-se. Assim, a partir de 1986 passamos a contar com Edwiges Maria Morato (Fonoaudióloga), Telma Dagmar Oberg (Fisioterapeuta) e  Sílvia Saraiva Pereira Lima (Fonoaudióloga) em 1987, Marcos Antonio Barg (Psicólogo) em 1989 e Sonia das Dores Rodrigues (Pedagoga) em 2008.

          Com a mudança da FCM e do HC para o campus, com o crescimento do corpo clínico e das áreas de atuação, o Departamento teve e mantém até hoje um desenvolvimento qualitativo significante. Inúmeras inovações foram incorporadas na prática clínica que não existiam nos primórdios do seu desenvolvimento.

          Com três disciplinas consolidadas, o Departamento de Neurologia tem recebido, reiteradamente, boa qualificação por parte de seus alunos. A Residência Médica (215 residentes formados e 44 em formação), os Programas de Aprimoramento Profissional, os Cursos de Especialização, além dos Treinamentos em Serviço oferecidos, tem qualificado profissionais de excelente nível, atuando no serviço público e privado. A Pós-Graduação em Ciências Médicas (área de concentração em Neurologia), tem contribuído para a qualificação de profissionais, em harmonia com metas de difusão, reprodução e geração de conhecimentos, decisivas para o resgate da cidadania nacional e ao posicionamento global do país.

          O Departamento participa ainda da internacionalização da Universidade contribuindo com a formação de recursos humanos vindos de Angola, Argentina, Colômbia, México, Peru e Uruguai.

          Os atuais laboratórios (Eletroneuromiografia, Epilepsia, Neuroimagem, Potencial Evocado, Distúrbios de Aprendizagem e Déficit de Atenção) desenvolvem pesquisas e as integram à assistência de qualidade.

          Os índices de produtividade acadêmica do Departamento de Neurologia foram crescentes ao longo das cinco décadas, no esforço individual e coletivo de seus vários membros. Hoje, o Departamento de Neurologia é referência nacional e internacional em vários aspetos da Neurologia.

          Ao longo dos seus 50 anos, docentes, médicos, residentes, alunos e funcionários se dedicaram e deixaram sua contribuição. Uns chegaram e ficaram, outros partiram após breve estada, alguns dedicaram muito de suas vidas para o departamento mas, todos deixaram marcas e fizeram a história!

          Acreditamos que o grande desafio que enfrentamos seja compatibilizar a assistência, a docência e a pesquisa, considerando importantes e crescentes avanços tecnológicos e científicos das Neurociências.