Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Estado de SP e ACIESP lançam prêmio para mulheres cientistas

Enviado por Edimilson Montalti em qui, 18/03/2021 - 08:58

Apenas 48 horas após o primeiro caso de COVID-19 do país ser confirmado em um hospital de São Paulo, a sequência completa do genoma do SARS-CoV-2 foi publicado pelas cientistas Ester Sabino e Jaqueline Goes, com a colaboração de pesquisadores do Instituto Adolfo Lutz e das universidades de São Paulo (USP) e de Oxford (Reino Unido).

Publicado no dia 28 de fevereiro de 2020, o trabalho de sequenciamento foi realizado em tempo recorde, graças a uma tecnologia rápida e portátil que tem sido fundamental para o monitoramento da pandemia e a identificação das novas variantes do vírus (leia mais em: agencia.fapesp.br/32637).

Um ano após o feito, a Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Estado de São Paulo e a Academia de Ciências do Estado de São Paulo (Aciesp) lançam o “Prêmio Ester Sabino para mulheres cientistas”, com o objetivo de incentivar a participação de mulheres na ciência e reconhecer sua contribuição ao desenvolvimento científico, tecnológico e econômico do Estado de São Paulo.

“É uma honra ter meu nome associado ao prêmio. Todos precisamos de mais mulheres na ciência e em postos de liderança. Isso é fácil de falar, mas não tem sido fácil de pôr em prática. Há uma necessidade grande de abrir espaços, mas também de incentivar nas próprias mulheres a participação em congressos, seminários e de estar presente na coordenação de estudos, centros de pesquisas e agências”, disse Sabino, professora da Faculdade de Medicina da USP, que contou que, antes mesmo de o SARS-CoV-2 chegar ao país, no ano passado, ela já estava se preparando para sequenciar o genoma do vírus, liderando um time de pesquisadores da USP e do Instituto Adolfo Lutz.

O Prêmio Ester Sabino foi dividido em duas categorias: uma para cientistas “sênior”, com carreira consolidada e grandes contribuições para a ciência do Estado, e outra para jovens pesquisadoras de destaque, que desenvolvem seu trabalho em São Paulo.

Neste ano inaugural, foram laureadas a própria Ester Sabino (categoria sênior) e Jaqueline Goes (jovens pesquisadoras). A premiação será realizada todos os anos no dia 11 de fevereiro, quando se comemora o Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência.

“Gostaria de agradecer pelo prêmio e principalmente à Ester, com quem tenho aprendido muito. É uma técnica de sequenciamento que venho fazendo há algum tempo, mas aprender com ela e entender o modo de fazer ciência, a maneira como incentiva a equipe é um privilégio. Tenho certeza que o reconhecimento do trabalho jamais teria ocorrido se não fosse ela”, agradeceu Goes. Ela é doutora em patologia humana e experimental pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) e, em associação com a Fiocruz, realizou em 2018, em Birmingham (Reino Unido), um estágio no qual aprimorou protocolos de sequenciamento de genomas completos pela tecnologia de nanoporos do vírus zika, além de protocolos para sequenciamento direto do RNA viral (leia mais em agencia.fapesp.br/25356).

Ilustração: Site Meninas Supercientistas – Unicamp


Matéria originalmente publicada no site da Agência Fapesp
Texto: Maria Fernanda Ziegler | Agência FAPESP