FCM e JICA avaliam andamento de projeto sobre doenças fúngicas e resistência a medicamentos

Enviado por Edimilson Montalti em qui, 20/02/2020 - 11:49

Representantes da Unicamp, da Universidade de Chiba e da Agência de Cooperação Internacional do Japão (JICA) se reuniram na Faculdade de Ciências Médicas (FCM) nos dias 5 e 6 de fevereiro para apresentar os resultados do projeto de colaboração internacional para o diagnóstico de doenças fúngicas e a resistência a medicamentos utilizados no Brasil e no Japão. O encontro anual faz parte do acordo de cooperação firmado em 2017 entre as duas universidades e a JICA, com investimento de R$ 5 milhões durante cinco anos para a realização de projetos de pesquisa clínica em infectologia.

“Nós, agora, estamos bem no meio do projeto e é importante que todos saibam o que foi feito e para onde vamos caminhar com as pesquisas nos próximos anos”, disse Maria Luiza Moretti, médica infectologista da FCM e responsável pelo desenvolvimento do projeto na Unicamp.

Uma das unidades parceiras no desenvolvimento das pesquisas é o Centro Infantil Boldrini. Crianças submetidas à quimioterapia e corticoides desenvolvem, com frequência, infecções por fungos. Silvia Brandalise, coordenadora do Centro Infantil Boldrini, disse que, no começo os pesquisadores passaram conhecer como se dá a resistência do fungo aos medicamentos.

Agora, na evolução do estudo, os pesquisadores irão implantar o farmacogenômica dos pacientes atendidos no Boldrini. O objetivo é ver se eles carregam alguma resistência genética relacionada a determinado fungo. “Em 2020 devemos implantar o farmacogenômica e a farmacovigilância dos medicamentos que temos no Brasil. Isso será desafiador”, revelou Brandalise.

Akira Watanabe, diretor associado da Universidade de Chiba e conselheiro chefe do projeto JICA no Brasil, disse estar satisfeito com os resultados obtidos até agora pela parceria Brasil-Japão. Haruo Watanabe, supervisor da Divisão de Colaboração Internacional da Japan Agency For Medical Research And Development (Amed), destacou que os resultados do projeto MIRE obtidos em Campinas poderão servir de modelo para o Japão. O objetivo final, revelou, será ter um banco de dados consolidado e público sobre fungos resistentes.

Sato Shinji, representante sênior Jica Brasil, destacou o respeito e admiração do governo japonês pela Unicamp. Em 2019, relembrou, JICA concedeu o titulo de Universidade do Ano à Unicamp, reconhecendo a parceria de mais de três décadas no desenvolvimento de pesquisas na Área da Saúde da universidade. Leia aqui a matéria. “Nossa expectativa é que a Unicamp seja o centro das pesquisas colaborativas internacionais do Japão com o Brasil”, disse Shinji.

Luiz Carlos Zeferino, diretor da FCM, destacou a importância cientifica dessa cooperação e, institucionalmente, o quanto relevante tem sido a cooperação de 30 anos entre a Unicamp e a JICA nas áreas de infecções, do aparelho digestivo e, agora, infecções fúngicas e de resistência a medicamentos. Zeferino destacou, ainda, o mérito e empenho dos pesquisadores da Unicamp e da FCM. “Nosso compromisso é total para que o projeto siga com dedicação, empenho e esforço. Além das instituições envolvidas, o mundo pode se beneficiar desse conhecimento”, disse.

Projeto MIRE

O Governo Federal do Brasil, representado pelo Ministério das Relações Exteriores, no ano de 2017, firmou acordo de Cooperação Técnica Internacional (CTI) com o Governo Japonês, por meio da Agencia de Cooperação Internacional do Japão (JICA) e da Agência Brasileira de Cooperação, para o desenvolvimento e implantação do projeto The establishement of a research and reference collaborative system for the diagnosis of fungal infections including drug-resistant ones both in Brazil and Japan, promovido por Science na Technology Research Partenership for Sustainable Development (SATREPS).

O convênio foi celebrado em 31 de março de 2017 e este convênio de cooperação internacional entre JICA e a Universidade Estadual de Campinas, para a realização do projeto dentro do âmbito da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp, na Área de Infectologia do Departamento de Clínica Médica. Fez parte do acordo firmado, a realização anual da reunião do Join Coordinating Committee (JCC).

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