Homenagem à primeira turma de medicina da Unicamp reúne gerações de médicos

Enviado por Edimilson Montalti em ter, 02/10/2018 - 15:22


“Sois ainda a primeira turma, essa que passará para a história, fato este que ides orgulhar-vos pelo resto de vossa vida.” – Antonio Augusto de Almeida, primeiro diretor da FCM e paraninfo da primeira turma de Medicina.
 

A realidade ultrapassou o sonho ou o sonho ainda não acabou. Isso não importa para os alunos da primeira turma de Medicina que foram homenageados na última sexta-feira (28), na Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp. Vestindo túnicas pretas e pelerine verde sobre os ombros, eles entraram pelo auditório da faculdade e foram aplaudidos de pé. Os pioneiros e precursores da Unicamp reviveram emoções e lembranças de mais de 50 anos, quando, ainda jovens, em 1968, colaram grau, pela primeira vez, no Cine Ouro Verde, em uma Campinas que lutou muito para conseguir sua faculdade de Medicina.

“O começo foi em 1963. Éramos em 50 calouros vindos, em sua maioria, do interior. Em maio, no Teatro Municipal de Campinas, ostentávamos nossas becas. Era uma glória para todos nós. Agora éramos acadêmicos de medicina. Assim que nos acomodamos nos dois andares inacabados da Maternidade de Campinas, começamos o curso. Nossa sala estava no contrapiso e nossas cadeiras eram de segunda mão, do tipo Cinema Paradiso. No terceiro ano do curso, fomos para Santa Casa de Misericórdia é lá ficamos até que o Hospital das Clínicas (HC) da Unicamp ficasse pronto”, relembrou o médico Rogério Antunes Pereira Filho, decano e professor aposentado da FCM. Leia a história da FCM no livro A realidade ultrapassou o sonho.

A cerimônia em homenagem aos alunos da primeira turma de Medicina da Unicamp foi presidida pelo reitor da Unicamp, Marcelo Knobel, que disse serem poucas as universidades que conseguem fazer homenagem aos pioneiros que ajudaram a criar uma instituição de ensino superior. “Quero agradecer a vocês toda a experiência e dedicação e por terem acreditado, desde o primeiro dia, que está Universidade se transformaria no que ela é hoje”, disse Knobel. A Unicamp foi criada três anos depois do início da faculdade de Medicina. Leia matéria no Jornal da Unicamp: FCM, embrião da Unicamp, faz 50 anos.

O diretor da FCM, Luiz Carlos Zeferino, anfitrião do evento, juntamente com o professor Claudio Saddy Rodrigues Coy, destacou em seu discurso de boas-vindas o tamanho da faculdade: 315 professores, dois cursos – Medicina e Fonoaudiologia, mais de 850 alunos na graduação e 1.300 alunos na pós-graduação, 670 médicos-residentes entre outros dados pontuados. “Nesses 55 anos, a faculdade fez um crescimento fantástico. A medicina está numa revolução do conhecimento. Os alunos da primeira turma conservam, em sua prática clínica, a essência da relação com o paciente e isso contribui para a formação de nossos alunos”, revelou Zeferino.

“O legado da primeira turma está no DNA e na cultura da Unicamp”, disse, emocionada, a pró-reitora de Graduação da Unicamp, Eliana Martorano Amaral, sobrinha de Luso Ventura, jornalista que lutou pela vinda da faculdade de medicina para Campinas, ainda na década de 1940. Manoel Barros Bértolo, diretor executivo da Área da Saúde Unicamp, reforçou que “a Universidade é reflexo da primeira turma”.

De acordo com Fernando Ferreira Costa, ex-diretor da FCM e ex-reitor da Unicamp, quando a população do Brasil ouve o nome Unicamp, lembra, imediatamente da área da saúde – Hospital de Clínicas, Caism, Hemocentro e Gastrocentro. “Para 10 milhões de pessoas, a área da saúde da Unicamp é o ultimo recurso para ter uma assistência médica de qualidade. Vocês deram início a isso e transformaram a FCM numa das mais importantes unidades dessa grande Universidade que contribui para o progresso do país”, afirmou Costa.

A coordenadora do curso de graduação em Medicina da FCM, Joana Fróes Bragança Bastos, juntamente com Luiz Carlos Zeferino, entregou a cada um dos alunos da primeira turma de Medicina um diploma simbólico pelos 50 anos de formados. A Associação Atlética Acadêmica Adolfo Lutz entregou uma placa aos médicos que foram atletas dos primeiros times de futebol e basquete. Uma placa comemorativa foi descerrada e será fixada na faculdade. A cerimônia foi acompanhada por familiares e convidados.

Ainda do decorrer do dia, os alunos da primeira turma de medicina da Unicamp plantaram uma muda de árvore Pau-Brasil na entrada do auditório da FCM e descerraram a nova placa com os nomes de todos os formandos de 1968 no jardim memorial da faculdade. Eles foram recebidos pela bateria da Medicina – Batucogu – composta por alunos do primeiro ao sexto ano do curso. Em seguida, visitaram a exposição comemorativa no Espaço das Artes, intitulada "Jubileu de Ouro da Primeira Turma de Formandos da FCM (1963-2018)". A exposição foi organizada pelo Centro de Memória e Arquivo/FCM em conjunto com o Arquivo Central da Unicamp/Siarq. Após, fizeram um passeio de ônibus pela Unicamp e partiram para um hotel fazenda em Itu, onde passaram o final de semana.

Veja mais fotos da cerimônia no Facebook da FCM.

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