Pesquisas ousadas podem mudar paradigmas, afirma coordenador da Fapesp durante a 12ª Semana de Pesquisa

Enviado por Edimilson Montalti em qui, 23/05/2019 - 15:34

De 22 a 23 de maio, aconteceu na Faculdade de Ciências Médicas (FCM), a 12ª Semana de Pesquisa. O tema dessa edição foi financiamento e logística em pesquisa. Durante os dois dias, mais de 140 pesquisas foram apresentadas no Espaço das Artes da FCM e diversas palestras ocorreram no Salão Nobre. Dentre os convidados, Harry Westfahl Jr., diretor científico do Laboratório Nacional de Luz Síncrotron e do projeto Sirius e Sandra Krauchenco, diretora do LaCTAD da Unicamp. Veja aqui como foi a programação e os demais convidados.

De acordo com o coordenador da Comissão de Pesquisa da FCM, o cardiologista Andrei Sposito, a evolução científica é, primordialmente, impulsionada pelas demandas humanas em campos diversos. Na medicina, por exemplo, nos últimos 100 anos a expectativa de vida triplicou em grande parte por um conjunto de soluções científicas.

Entretanto, segundo Sposito, atualmente o financiamento da pesquisa se tornou um entrave, quase intransponível, não somente no Brasil, mas em todo o mundo. “A solução mais eficaz para esse obstáculo tem sido parcerias acadêmicas e a busca por novas fontes de financiamento”, diz o professor da FCM.

Carlos Eduardo Negrão, coordenador adjunto da área de Ciências da Vida, da Fapesp, falou sobre os planos e perspectivas da agência para o financiamento em pesquisa nos próximos anos. “Temos interesse em apoiar projetos ousados de pesquisa que aglutinem pesquisadores de grandes áreas. Queremos apostar em pesquisas capazes de mudar paradigmas”, revelou.

Com a pesquisa Desempenho de escolares na triagem e no diagnóstico do Processamento Auditivo Central (PAC), a aluna de doutorado da FCM, Nádia Giulian de Carvalho procura validar uma nova ferramenta online de triagem do PAC em crianças com e sem dificuldades escolares entre 7 e 8 anos. “Com essa pesquisa, estamos tentando avaliar o sistema da cóclea até o cérebro, algo inédito no Brasil”, revelou Nádia. Leia mais sobre a pesquisa.

O médico-residente Alexandre Motta Mecê estuda doenças neurodegenerativas como Parkinson, Esclerose e Ataxias. Ele trouxe para a 12ª Semana de Pesquisa uma metodologia desenvolvida com pacientes atendidos no ambulatório de neurologia do Hospital de Clínicas da Unicamp no qual usou a ressonância magnética para o diagnóstico. “A ressonância associada ou método que estamos desenvolvendo, usando um software da Unicamp, pode trazer uma pista para o diagnóstico. É algo mais prático no dia-a-dia do neurologista”, comentou Alexandre. Leia mais sobre a pesquisa.

Maurício Camargo Etchebehere é aluno do ensino médio e participou de testes desenvolvidos no Ciped com jogadores de basquete adolescentes.  Isso resultou num projeto de pesquisa para o PIBIC Junior. Com apenas 16 anos, Maurício é o mais jovem pesquisador a inscrever um trabalho na Semana de Pesquisa. “Na escola eu já fiz outros trabalhos de pesquisa, mas esse é o mais complexo até agora. Ainda há outros dados que podem ser investigados, como por exemplo, a relação entre as horas de sono e o desempenho do atleta adolescente”, confidenciou Maurício. Leia mais sobre a pesquisa.

Na época em que era aluno do curso de Medicina da FCM, Amilton Santos Júnior inscreveu seu trabalho de mestrado na Semana de Pesquisa. Hoje, como professor do Departamento de Psicologia Médica e Psiquiatria da FCM e avaliador dos trabalhos, Amilton destaca que, independe do nível do aluno – graduação, pós, iniciação científica – a Semana de Pesquisa é a oportunidade dos pesquisadores mostrarem para as pessoas o que é feito na Universidade.

“Durante a avaliação, damos dicas do que melhorar no trabalho para ser aceito para publicação. É, também, uma oportunidade para os alunos aprenderem a comunicar seus achados numa linguagem mais acessível. Todos os trabalhos que avaliei até agora contribuem para a evolução da ciência e do conhecimento”, revelou Amilton, satisfeito com a qualidade das pesquisas.

Após a avaliação dos 140 trabalhos inscritos, a Comissão de Pesquisa da FCM irá premiar os três melhores trabalhos. Também serão distribuídas menções honrosas. O resultado e a premiação serão divulgados durante a reunião da Congregação da FCM, prevista para o mês de junho.