Renato Giuseppe Giovanni Terzi recebe título de emérito

Enviado por Camila Delmondes em sex, 07/04/2017 - 15:49

Texto:
Isabel Gardenal
Ascom-Unicamp

                    

O sonho de Terzi era ter na área hospitalar da Unicamp a melhor unidade de terapia intensiva (UTI) do país. O sonho está praticamente consolidado e hoje se reconhece que isso se deveu ao trabalho incansável do cirurgião Renato Giuseppe Giovanni Terzi, professor titular da Faculdade de Ciências Médicas (FCM). Esse foi um dos vários feitos de Terzi que o fez merecer o título de Professor Emérito da Unicamp, distinção que recebeu das mãos do reitor José Tadeu Jorge por solicitação do Departamento de Cirurgia da FCM. Mais do que isso, a outorga foi atribuída em razão dos relevantes serviços prestados por Terzi em prol do desenvolvimento da instituição.

Um grande contingente de pessoas esteve na sala do Consu para homenagear Terzi, entre familiares, ex-alunos da FCM, funcionários, docentes e convidados. Participaram da mesa diretiva dos trabalhos, além do reitor, o pró-reitor de Graduação Luis Alberto Magna e o diretor da FCM Ivan Toro.

Todas as falas enfatizaram o espírito empreendedor de Terzi que, depois de ter se “aposentado” das atividades de cirurgião, se dedicou inteiramente ao desenvolvimento da terapia intensiva, visto que em Campinas por décadas a cidade tinha sido desprovida de Unidades de Terapia Intensiva (UTIs).

O também cirurgião Nelson Andreollo lembrou que, na antiga Santa Casa, onde embrionariamente funcionou a Unicamp, as cirurgias eram feitas inicialmente sem o devido suporte de UTI. “Não tínhamos nem respiradores para que os pacientes, no pós-cirúrgico, pudessem se recuperar mais rapidamente.”

Hoje após 30 anos de funcionamento, a UTI da Unicamp conta com 50 leitos (expansíveis para 66) e 315 funcionários alocados nas seguintes funções: 3 médicos docentes, 43 médicos plantonistas e diaristas, 73 enfermeiros, 169 técnicos de enfermagem e pessoal de apoio, e 27 fisioterapeutas. É uma das três maiores unidades de terapia intensiva do Brasil.

Andreollo enalteceu Terzi pelas contribuições que ele trouxe à Unicamp, como a implantação do curso de fisioterapia respiratória e o curso de metabologia cirúrgica no Departamento de Cirurgia. Depois de sua aposentadoria, em 2007, organizou e executou o primeiro curso de pós-graduação lato sensu em Medicina Intensiva, através do Instituto Terzius, coordenado por ele. Em 2008, profissionalizou a estrutura administrativa do curso de pós-graduação em Medicina Intensiva de Adulto.

                    

Para Andreollo, Terzi é um exemplo a ser sempre seguido. “Com toda a certeza, ele é a peça mais importante do meu currículo na Universidade”, ressaltou.

Ivan Toro destacou que Terzi foi um divisor de águas no Departamento de Cirurgia e na Terapia Intensiva do país. Magna, que foi aluno de Terzi, afirmou que acompanhou a sua carreira e que ele certamente merece esse título e outras homenagens.

O reitor José Tadeu Jorge qualificou como tarefa nada fácil homenagear Terzi, depois de ouvir tudo o que ele realizou no HC, na FCM e na Unicamp. “Agradecemos tão brilhante história cuja contribuição permitiu que a Universidade alcançasse a excelência de hoje. O professor Terzi demonstra na prática o acerto da concepção do projeto inicial de Zeferino Vaz”, discursou. “A sua trajetória em todos os momentos envolve o ensino, a pesquisa e a extensão. Nossos cumprimentos enfáticos por projetar a Unicamp na sociedade acadêmica e internacional. O senhor merece esse título com distinção e louvor”, ressaltou

Renato Terzi fez um discurso amplo e bem-articulado. Agradeceu a todos e introduziu sua fala dizendo que esse é um momento precioso de sua vida. “Esse título muito me honra e envaidece”, garantiu. Agradeceu Andreollo pelo depoimento a seu respeito e retribuiu salientando que sempre admirou Andreollo pelo cuidado humanitário com seus pacientes.

Recordou que recebeu o diploma de Medicina das mãos de Zeferino Vaz na Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, da USP. Ao abordar o início de sua carreira, comentou sobre sua esposa Sylvia Bueno Terzi, já falecida, que também foi professora da Unicamp no Instituto de Estudos da Linguagem (IEL). Sylvia atuou por anos com a Educação de Jovens e Adultos (EJA), principalmente na área de Letramento, e foi coordenadora do Programa Alfabetização Solidária em municípios carentes de Alagoas, Ceará, Tocantins, Sergipe e Paraíba de 1997 a 2011.

“Sylvia foi minha companheira por quase 50 anos. Acompanhei o seu trabalho. A ela devo o orgulho de ter meus três filhos: Renato, Eduardo e Cristina”, acentuou. Emocionou-se tanto que não prosseguiu o relato sobre ela.

                    

Terzi foi o cirurgião que atendeu Zeferino Vaz em seus últimos momentos de vida, antes de ser transferido para São Paulo, onde faleceu vítima de complicações coronarianas. Foi ele que também contratou os primeiros médicos para trabalhar na UTI do HC. “Todos começaram com trabalho e dedicação comovente. Iniciamos em 1986 com o primeiro paciente – um pós-operatório de transplante renal”, contou.

Ele relembrou os amigos e cada profissional que esteve ao lado dele nas atividades relacionadas à terapia intensiva e ao seu trabalho no Departamento de Cirurgia. Falou da visão de futuro que tem da medicina. Sublinhou que o jovem de hoje, em busca de informação e habituado a navegar na internet e nas redes sociais, ruma para outro sítio, quando o texto é longo e enfadonho. “Com novos paradigmas pedagógicos, os volumosos tratados de medicina estão em processo de extinção”, lamentou.

Hoje exige-se acesso rápido à informação, prosseguiu ele. “A informação tem que ser completa, precisa, concentrada e atual. A busca de artigos da literatura internacional somente interessa ao acadêmico, quando elabora suas teses e trabalhos científicos.”

Ele acredita que, com as atividades à beira do leito, fica impossível atualizar-se totalmente e ler os milhares de artigos em todas as revistas científicas, “mesmo porque artigos de baixa qualidade científica podem gerar mais dúvidas do que certezas”. Crê que justamente por isso entidades internacionais têm produzido consensos, guias e diretrizes. Com essa ferramentas, aliadas à educação a distância e à simulação realística, será possível atender a essa nova geração mais “individualista”.

                    

“Mais do que obter informações, os alunos deveriam ver no mestre um exemplo a ser seguido. Vejo que esse modelo está se perdendo por vários motivos: a crise econômica e as novas formas de contrato de docentes nas universidades públicas e privadas. Eles têm desmotivado a dedicação integral. Como será o ensino de medicina daqui a dez anos? Tenho certeza de que grandes desafios serão impostos aos futuros professores, que deverão se adaptar de alguma forma à nova realidade”, pontuou.

Renato Terzi graduou-se em Medicina pela USP em 1960. Fez residência em Cirurgia Geral no Bronx-Lebanon Hospital Center de N. York (1962-1966) e em Cirurgia Torácica e Cardiovascular na Universidade da Carolina do Norte, Chapel Hill, de 1967-1968. Fez doutorado em Cirurgia pela Unicamp em 1973 e pós-doutorado pela Universidade de Harvard, no Massachusetts General Hospital de Boston de 1981 a 1982. 

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