Qualificações e Defesas - Detalhes

AVALIAÇÃO DE ADESÃO FARMACOTERAPÊUTICA E A OUTRAS MEDIDAS PARA O TRATAMENTO DE PESSOAS COM DOENÇA FALCIFORME

Candidato(a): Rafael Cândido Alves Aguiar
Orientador(a): Fernando Vieira Pericole de Souza



Apresentação de Defesa
Curso: Mestrado Profissional em Hemoterapia
Local: Hemocentro de Campinas (Via google meet)
Data: 23/09/2020 - 14:00 hrs
Banca avaliadora
Titulares
Fernando Vieira Pericole de Souza - Presidente,
Hemocentro - UNICAMP
Bruno Deltreggia Benites - Faculdade de Ciências Médicas
Leandro de Freitas Teles - Universidade Estadual de Montes Claros
Suplentes
Marcelo Addas Carvalho - Universidade Estadual de Campinas
Elaine Veloso Rocha Urias - Universidade Estadual de Montes Claros

Resumo


A doença falciforme é caracterizada pela deformidade do eritrócito, que se assemelha ao formato de foice, em virtude da alteração do gene responsável pela produção da hemoglobina S. Essa alteração provoca redução da flexibilidade do eritrócito comprometendo a circulação sanguínea. O presente estudo objetivou avaliar a adesão ao tratamento de pessoas com Doença Falciforme acompanhadas no Hemocentro Regional de Montes Claros, Minas Gerais, bem como a submissão destes pacientes ao atendimento especializado e a realização de exames, propostos pelo Ministério da Saúde. Em adição, foi objetivo ainda conhecer as dificuldades enfrentadas pelos portadores e por seus responsáveis. Os dados foram obtidos através da análise de prontuários dos pacientes e por meio da aplicação de questionário. A Fundação Hemominas é responsável pelo acompanhamento de portadores de hemoglobinopatias. Para isso, detém o Protocolo de Atendimento Ambulatorial, baseado em diretrizes do Ministério da Saúde, que regulamenta a prestação da atenção integral com rotineiras consultas médicas, testes laboratoriais, exames especiais e ações profiláticas. Foram entrevistadas 70 pessoas com doença falciforme, residentes no norte de Minas Gerais, sendo 64,3 provenientes de área urbana e 35,7 de área rural. Em 25,7 dos casos foi relatada a presença de uma ou mais pessoas com quadro clínico semelhante vivendo no mesmo domicílio do paciente. Aproximadamente 79,0 dos entrevistados relataram que em seus domicílios vivem até quatro moradores e cerca de 3,0 possuíam mais de oito residentes. Para chegarem ao Hemocentro, 74,3 dos entrevistados relataram necessitar de condução da prefeitura. Em relação às demandas assistenciais, os entrevistados citaram terem sido encaminhados para nove diferentes especialidades médicas, com destaque para oftalmologia (48,6 ), cardiologia (44,3 ) e neurologia (21,4 ). Dentre os encaminhamentos para equipe multiprofissional, psicologia e serviço social somaram 22,8 das solicitações. Os exames laboratoriais mais solicitados foram hemograma e contagem de reticulócitos, ambos requeridos para todos os participantes da pesquisa, seguidos pela sorologia (75,7 ) e eletroforese de hemoglobina (62,9 ). A ultrassonografia abdominal e as análises eletrocardiograma e/ou ecocardiograma foram os exames especializados mais requisitados, sendo apontados em 70,0 e 67,1 dos casos, respectivamente. Foi frequente a prescrição de ácido fólico (92,9 ) e algum analgésico (78,6 ) aos pacientes. Além disso, os entrevistados relataram o uso de hidroxiureia (35,7 ) e deferasirox (11,4 ). Dentre os integrantes da pesquisa, 22,9 relataram o uso de penicilinas, incluído nesse percentual todos os participantes com idade até 5 anos. A análise da adesão ao tratamento farmacoterapêutico detectou a ocorrência de escore alto ou médio em 97,1 . Entretanto, 27,1 dos entrevistados revelaram possuir alguma dificuldade com a medicação. Conclui-se que a assistência profissional prestada se apresenta em conformidade com os protocolos de tratamento estabelecidos, e os entrevistados possuem alta taxa de adesão ao tratamento. Contudo, os pacientes ainda enfrentam obstáculos que prejudicam a submissão à terapia, como a distância do hemocentro, dependência de veículo da prefeitura do município de origem, dependência do tempo de marcação de consultas e procedimentos junto ao SUS, falta de medicamentos nas atenções primária e secundária e necessidade de arcarem com despesas médicas de forma particular, mesmo aqueles que apresentam dificuldade financeira.