Qualificações e Defesas

Competências médicas no cenário rural brasileiro

Candidato(a): Ricardo de Lima Lacerda Orientador(a): Simone Appenzeller
Doutorado em Clínica Médica
Apresentação de Defesa Data: 12/11/2021, 14:00 hrs. Local: Videoconferência
Banca avaliadora
Titulares
Simone Appenzeller - Presidente
Mara Cristina Ripoli Meira- Universidade Estadual do Oeste do Paraná
Roberta Vacari De Alcantara
Marcelo Viana da Costa- Universidade Federal do Rio Grande do Norte
Joana Froes Braganca Bastos
Suplentes
George Dantas de Azevedo - Universidade Federal do Rio Grande do Norte
Magda Moura de Almeida - Universidade Federal do Ceará - Departamento de Saúde Comunitária
Valdes Roberto Bolella - Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo

Resumo


Mundialmente, metade da população vive em área rural, porém menos de 25 dos médicos trabalham nessas áreas. No Brasil, há mais de 30 milhões de pessoas vivendo em área rural. Partindo desse contexto, a realização da pesquisa foi orientada pela seguinte questão: quais as competências para a atuação do profissional médico são importantes para a atenção à saúde em áreas rurais ou remotas no Brasil? Partindo dos domínios e competências para a prática rural que foram desenvolvidos por Longenecker et al, planejamos aplicar um questionário aos médicos participantes do Programa Mais Médicos para o Brasil do governo federal, contendo informações demográficas e pedindo para cada participante preencher um questionário contendo escalas Likert variando de “sem importância” à “extremamente importante” para cada competência elencada. O questionário foi posteriormente aplicado aos tutores e supervisores do referido programa e a especialistas em medicina rural. A participação foi voluntária e anônima. Foram obtidas 152 respostas, sendo 95 (62,5 ) de médicos do Programa Mais Médicos para o Brasil, 41 (27 ) de tutores ou supervisores do programa e 16 (10,5 ) de especialistas em medicina rural. Do total de respostas, 74 (48,7 ) eram mulheres e 78 (51,3 ) eram homens. No grupo de médicos do Programa Mais Médicos, 50 (52,6 ) disseram estar atualmente em área rural. No grupo de tutores e supervisores, 5 (12,2 ) disseram estar atualmente em área rural e no grupo de especialistas, 11 (68,8 ) estão atualmente em área rural. Quanto a prática rural, o grupo de especialistas teve como opção mais prevalente “Nenhum treinamento rural específico, mas procurou independentemente experiências rurais” com 7 respostas (43,8 ). Já o grupo de médicos afirmou de forma mais prevalente ter tido “prática rural na graduação” com 48 respostas (50,5 ). A maioria no grupo de tutores e supervisores afirmou não ter tido treinamento rural específico com 16 (39 ) respostas. Quanto ao tempo de prática rural, todos os grupos obtiveram a maioria das respostas de 1 a 5 anos. O domínio integridade foi considerado o mais singular para a prática rural em dois grupos. No grupo de médicos do Programa Mais Médicos, 86,3 o marcaram como muito singular ou extremamente singular. No grupo de tutores e supervisores, 78 o marcaram como muito singular ou extremamente singular. No grupo de especialistas, apesar de o domínio não ter sido considerado o mais singular, ainda assim obteve 81,3 das respostas o considerando muito singular ou extremamente singular. A competência adapta o escopo de práticas às necessidades da comunidade foi a única considerada muito importante ou extremamente importante por todos os participantes da pesquisa. Não houve nenhuma nova sugestão de domínio ou competência pelos participantes. Observamos no nosso estudo que as competências desenvolvidas previamente por outros pesquisadores e internacionalmente aceitas são válidas para o Brasil. Sugerimos o uso dessas competências para desenho curricular nas escolas médicas no Brasil.



Caracterização do estresse do retículo endoplasmático na mucosa intestinal de pacientes com retocolite ulcerativa

Candidato(a): Bruno Lima Rodrigues Orientador(a): Raquel Franco Leal
Doutorado em Ciências da Cirurgia
Apresentação de Defesa Data: 16/11/2021, 09:00 hrs. Local: Gastrocentro Unicamp
Banca avaliadora
Titulares
Raquel Franco Leal - Presidente
Luiz Roberto Lopes
Cristiane Kibune Nagasako Vieira Da Cruz
Carlos Walter Sobrado Junior
Suplentes

Resumo


A doença de Crohn (DC) e a retocolite ulcerativa (RCU) são as formas mais comuns das doenças inflamatórias intestinais (DII), e são caracterizadas por períodos de remissão e recidiva acompanhada de diarreia, dor abdominal, perda de peso e desnutrição. As DII são doenças de origem multifatorial que acometem indivíduos geneticamente susceptíveis, nos quais uma resposta imunológica inadequada resulta de complexas interações ambientais, microbiais e do sistema imune inato e adaptativo, levando à produção de citocinas pró-inflamatórias. Esta superprodução de citocinas prejudica o processamento estrutural proteico, deixando o lúmen do retículo endoplasmático (RE) preenchido com proteína mal formadas. O acúmulo de proteínas mal formadas no ER é chamado de estresse do retículo endoplasmático (ERE). A resposta ao acúmulo de proteínas mal formadas (UPR), iniciada pela ativação das vias IRE1/Xbp-1, PERK/eIF2α e ATF6, foi previamente associada à inflamação intestinal em modelos experimentais, em estudos de associação gênica (GWAS) e em meta-análise recentes. Além de promover a degradação de proteínas e apoptose, a ativação do ERE também induz a transcrição de genes pró-inflamatórios. Dessa forma o objetivo desse projeto foi investigar a ocorrência e caracterizar a ativação do ERE em mucosa intestinal de pacientes com RCU, e sua potencial resolução com chaperonas químicas em pacientes com DC. Nossos resultados mostram que, através de técnicas de hibridização in situ e de imunohistoquímica, o ERE está ativado em pacientes com RCU por meio das vias PERK/eIF2α e IRE1/Xbp-1, mas não via ATF6. A análise transcricional confirmou a ativação de PERK/eIF2α, bem como o aumento da expressão de genes relacionados a UPR. Também foi observado que os genes pró-apoptóticos e de autofagia (Bax e ATG6L1, respectivamente), bem como as citocinas pró-inflamatórias estavam regulados em pacientes com RCU. Além disso, foi observado que o ERE é ativado não apenas nas células epiteliais intestinais, mas também nas células da lâmina própria da mucosa colônica da RCU. Em DC, foi observado, através de qPCR, que o ERE está ativado via PERK/eIF2α, mas não via IRE1/Xbp-1 e nem ATF6. O uso de um inibidor químico reduziu significativamente a via ativada, e também modulou a expressão de citocinas pró-inflamatórias, como IL6 e TNFa, influenciando o processo inflamatório característico da DC. OS resultados mostram objetivamente que ERE e UPR estão ativados na mucosa do cólon de pacientes com DII. O aumento dos marcadores de apoptose e autofagia em pacientes com RCU apoiam ainda mais a ativação do ERE, uma vez que são mecanismos dependentes ativados para contrabalançar o dano ao tecido. Essas descobertas fornecem novos paradigmas sobre os mecanismos moleculares que mantêm a atividade das DII. Ademais, o bloqueio das vias do ERE sugere um potencial novo alvo na terapêutica da DC e abre novas possibilidades para atenuar a inflamação intestinal.



Desenvolvimento de Programa Computacional para o Diagnóstico de Ovos de Schistosoma mansoni, por meio do Uso da Técnica Parasitológica de TF-Test Quantified

Candidato(a): Bianca Martins dos Santos Orientador(a): Jancarlo Ferreira Gomes
Doutorado em Saúde da Criança e do Adolescente
Apresentação de Defesa Data: 16/11/2021, 14:00 hrs. Local: Integralmente online
Banca avaliadora
Titulares
Jancarlo Ferreira Gomes - Presidente
Universidade Estadual de Campinas- Universidade Estadual de Campinas
Katia Denise Saraiva Bresciani- Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho
Aline do Nascimento Benitez- Faculdade de Ciências Médicas - Universidade Estadual de Campinas
Vamilton Alvares Santarém- Universidade do Oeste Paulista
Alessandro Francisco Talamini do Amarante- Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho
Suplentes
Sandra Valéria Inácio - Unesp - Faculdade de Medicina Veterinária Araçatuba
Alex Akira Nakamura - Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho
Renan Marrichi Mauch - Universidade Estadual de Campinas

Resumo


A esquistossomíase mansônica destaca-se entre as Doenças Tropicais Negligenciadas (DTN) devido a sua alta prevalência no mundo, tendo como agente etiológico o parasito trematódeo Schistosoma mansoni. Neste estudo multidisciplinar, desenvolvemos um programa computacional para detectar e identificar qualitativamente ovos de S. mansoni em imagens obtidas de lâminas de microscopia processadas pela nova técnica parasitológica de TF-Test Quantified (TFT-Quant). Um banco de imagens foi elaborado com a utilização de amostras fecais de 10 camundongos albinos Swiss (Mus musculus), infectados experimentalmente por cepas de S. mansoni de Belo Horizonte (BH). Esta base de dados foi formada por 1.220 imagens, das quais 635 com ovos do parasito em estudo, e foi subdividida para o desenvolvimento de algoritmos utilizados na detecção e identificação informatizada de componentes constituídos por ovos e impurezas fecais. Esses algoritmos compuseram um pipeline, que possibilitou testes com bases de dados complementares e avaliações por análises e parâmetros estatísticos para definir a eficácia diagnóstica do programa de computador. O pipeline proposto apresentou valores Kappa de 94,20 e 93,53 para as redes neurais VGG-16 e MobileNet, respectivamente. Os resultados significativos obtidos pelo novo programa de computador, em associação com as qualidades técnico/laboratoriais do TFT-Quant, foram considerados representativos para a expansão de um estudo quantitativo de ovos de S. mansoni utilizando o Diagnóstico Automatizado de Parasitos Intestinais (DAPI).



A BOCA TRAVADA NO RACISMO: DESIGUALDADES RACIAIS NAS CONDIÇÕES DE SAÚDE BUCAL.

Candidato(a): Livia Helena Terra e Souza Orientador(a): Margareth Guimaraes Lima
Doutorado em Saúde Coletiva
Apresentação de Defesa Data: 17/11/2021, 09:00 hrs. Local: Viodeoconferência
Banca avaliadora
Titulares
Margareth Guimaraes Lima - Presidente
Celia Landmann Szwarcwald- PUCCAMP
Tassia Fraga Bastos- Faculdade São Leopoldo Mandic
Rubens Bedrikow
Ana Paula Sayuri Sato- Faculdade de Saúde Pública da USP
Suplentes
Maria Rita Donalisio Cordeiro
Moisés Goldbaum - Universidade de São Paulo

Resumo


A desigualdade entre brancos e negros na sociedade brasileira é evidente, possui um caráter estrutural e sistêmico e persiste com a fragilidade de políticas públicas para o seu enfrentamento. Embora exista o conhecimento e o monitoramento das desigualdades sociais em saúde na literatura, não são muitos os estudos que abordem as diferenças da raça e do sexo na saúde bucal e ainda existem algumas lacunas para cobrir. Pode-se ressaltar aqui que o acesso aos serviços de prevenção e cuidado para saúde bucal ainda não são acessíveis a toda a população, especialmente para os que apresentam aspectos socioeconômicos mais deficitários. Este trabalho foi desenvolvido em três capítulos com os objetivos de avaliar condições de saúde bucal e o uso de serviços odontológicos segundo raça/cor de pele e sexo no Município de Campinas. No primeiro trabalho analisamos a associação da raça/cor da pele com a utilização de serviços dentários, utilizando múltiplos indicadores, com a autoavaliação em saúde bucal, e com dificuldades de mastigação e de sorrir, devido às condições dentárias. No segundo artigo foi avaliado a associação da perda dentária com a raça/cor da pele e as possíveis interações entre raça e sexo na associação com perda dentária. E no terceiro artigo analisou-se a associação do uso de serviços de saúde bucal com a raça/cor da pele em estratos de sexo. Os resultados apontam uma evidente desigualdade na saúde bucal e no acesso e uso dos serviços odontológicos pelos negros e a necessidade de desconstrução do racismo em saúde bucal, que ainda são fortes e evidentes. Além disso, os resultados deste trabalho sugerem uma desvantagem para as mulheres negras nas perdas dentárias.



REFLUXO VESICOURETERAL EM RIM TRANSPLANTADO – RISCOS E FATORES PROGNÓSTICOS

Candidato(a): Brunno Raphael Iamashita Voris Orientador(a): Marcelo Lopes de Lima
Mestrado em Ciências da Cirurgia
Apresentação de Defesa Data: 17/11/2021, 09:30 hrs. Local: Integralmente à distância
Banca avaliadora
Titulares
Marcelo Lopes de Lima - Presidente
Wagner Eduardo Matheus
Jose Carlos Souza Trindade Filho
Suplentes
Ricardo Destro Saade
Adriano Fregonesi

Resumo


Objetivos: Avaliar o impacto do refluxo vesicoureteral (RVU) em rins transplantados, identificar seus possíveis fatores de risco e definir suas consequências clínicas em um centro público de transplantes. Métodos: Trata-se de um estudo retrospectivo, analisando dados de pacientes submetidos a transplante renal, que evoluíram novamente para insuficiência renal dialítica por falha do enxerto. A avaliação pré-operatória para o novo transplante incluiu uretrocistografia miccional e ultrassonografia do trato urinário. Vinte e seis pacientes foram selecionados entre 2008 e 2018, nos quais a uretrocistografia miccional pré-operatória identificou refluxo vesicoureteral para o rim previamente transplantado. Os pacientes foram divididos em 2 grupos: refluxo de baixo grau e refluxo de alto grau. Os testes de Fisher e Mann-Whitney foram utilizados para análise estatística, com nível de significância de 5 . Resultados: Foram incluídos 26 pacientes, com média de idade de 47,8 anos, sendo 73,1 do sexo masculino. A sobrevida do enxerto foi semelhante nos dois grupos (6,2 anos), independente do grau de refluxo vesicoureteral que o transplante apresentou. Quanto maior a duração da isquemia do enxerto, prévia ao implante, maior a chance de desenvolver refluxo de alto grau. Também foi encontrada correlação entre ganho de peso e altos graus de refluxo. Não foi encontrada correlação entre RVU e a técnica cirúrgica do transplante, a presença de bacteriúria, a etiologia da insuficiência renal, o tempo de diálise pré-transplante e a idade do paciente. Conclusões: A presença de RVU não tem impacto negativo na função do enxerto renal. Há indícios de que a obesidade e a isquemia prolongada do enxerto possam levar à ocorrência de refluxo de alto grau.