Qualificações e Defesas

CENAS DA ASSISTÊNCIA OBSTÉTRICA BRASILEIRA: DA NORMATIZAÇÃO DA CESÁREA AO PAPEL DO PARTO HUMANIZADO

Candidato(a): Juliana Camargo Giordano Sandler Orientador(a): Fernanda Garanhani De Castro Surita
Doutorado em Tocoginecologia
Apresentação de Defesa Data: 14/12/2018, 09:00 hrs. Local: Anfiteatro Kazue Panetta-CAISM
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Banca avaliadora
Titulares
Fernanda Garanhani De Castro Surita - Presidente
Jose Guilherme Cecatti
Leila Katz- Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira
João Paulo Dias de Souza- Universidade de São Paulo
Iracema de Mattos Paranhos Calderon- Faculdade de Medicina - UNESP - Campus de Botucatu
Suplentes
Rodolfo De Carvalho Pacagnella
Alessandra Cristina Marcolin - USP - Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto
Roseli Mieko Yamamoto Nomura - Universidade Federal de São Paulo

Resumo


Objetivo: Conhecer a prevalência de cesárea de acordo com financiamento público ou privado e características socioeconômicas das mulheres de Campinas-SP e avaliar a prevalência de boas práticas na assistência ao parto hospitalar de obstetras particulares de São Paulo-SP e seus desfechos maternos e perinatais. Métodos: Foram realizados dois estudos: uma análise secundária de um corte transversal em Campinas-SP, avaliando três maternidades: uma pública terciária, uma pública-privada e uma somente privada. A amostra calculada foi de 995 casos, dados coletados de prontuário médico e entrevista com pacientes entre 2011 a 2014. Critérios de elegibilidade: pós-parto imediato, gestação única e recém-nascido vivo. Avaliados dados sociodemográficos, antropométricos, história reprodutiva, planejamento da gravidez e atendimento pré-natal, comorbidades, via de parto e dados do recém-nascido. O segundo foi um estudo original transversal com mulheres que procuraram grupos de apoio ao parto humanizado, que assistiram seus partos em maternidades privadas de São Paulo-SP entre 2014 e 2017. Um questionário-Google inspirado na publicação da OMS: “Care in normal birth: a practical guide” foi utilizado. A amostra foi calculada em 385 casos. A análise estatística de ambos os estudos utilizou frequências e porcentagens e análise de associação com testes t de student e de Qui-quadrado de Pearson. O nível de significância foi 5% e o software Epi-info 7.2. Resultados: no primeiro estudo 1276 mulheres foram entrevistadas. A taxa de cesárea foi 57,5%: 41,6%, 54,8% e 90,1% respectivamente para maternidade pública, mista e privada. O risco de cesárea esteve relacionado a ensino superior, emprego, cor branca, gravidez planejada, atendimento pré-natal privado e primiparidade. No segundo estudo 1012 mulheres foram procuradas; 432 não preencheram critérios de inclusão ou não responderam ao questionário; 580 foram incluídas no estudo. 97% relataram nível superior e 61% pós-gradução, 75% com renda familiar ≥10 salários mínimos, 98% elaboraram um plano de parto, 85% tiveram parto vaginal; 85% pariram em posição alternativa (não ginecológica), 90,5% utilizaram métodos não farmacológicos de alívio da dor, 1,3% de episiotomia. Todos os escores de APGAR de 5 minuto foram ≥ 7, 2,6% transfusão sanguínea, 96% de contato pele-a-pele com o recém-nascido, 5,7% relataram violência obstétrica, 83% tiveram uma experiência de parto positiva. 75% das mulheres contrataram uma doula e 83% parteiras. Conclusões: No primeiro estudo a taxa de cesárea no serviço privado foi 90,1%. Melhores condições socioeconômicas e primiparidade foram associadas a maior risco de cesárea. Incentivos reais ao parto normal no setor público e principalmente no privado são cruciais para queda desses números. No segundo estudo, realizado exatamente com a faixa da população mais propensa a ser submetida a cesárea, a taxa de cesárea foi 15,5%. Destaca-se que uma equipe transdisciplinar focada na autonomia da mulher através do compartilhamento de informações, responsabilidades e escolhas durante o pré-natal e na assistência ao parto é um ótimo caminho para uma experiência segura e positiva de parto e ainda reduz as taxas de cesáreas conforme recomendado pela OMS.

CARACTERÍSTICAS CLÍNICAS E REAÇÕES ADVERSAS (HIPERPIGMENTAÇÃO CUTÂNEA E NEFROTOXICIDADE) RELACIONADAS AO USO INTRAVENOSO DA POLIMIXINA B

Candidato(a): Karen Prado Herzer Mattos Orientador(a): Patricia Moriel
Doutorado em Ciências Médicas
Apresentação de Defesa Data: 14/12/2018, 09:00 hrs. Local: Anfiteatro da FCF
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Banca avaliadora
Titulares
Patricia Moriel - Presidente
Marcelo Lancellotti
Patrícia de Carvalho Mastroianni- Faculdade de Ciências Farmacêuticas - UNESP - Campus de Araraquara
Marília Berlofa Visacri- FCM-UNICAMP
Fernando de Sá Del Fiol- UNISO - Universidade de Sorocaba
Suplentes
Leonardo Régis Leira Pereira - Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto - USP
Jose Luiz Da Costa
Cristiane de Cássia Bergamaschi - UNISO - Universidade de Sorocaba

Resumo


Nos últimos anos a utilização da polimixina B no tratamento de infecções causadas por bactérias Gram-negativas apresentou considerável crescimento apesar de sua elevada e já conhecida toxicidade. Nefrotoxicidade e neurotoxicidade são reações adversas frequentemente associadas a este fármaco atualmente utilizado como um dos últimos recursos para o manejo de cepas multirresistentes que já não respondem aos demais tratamentos antimicrobianos disponíveis na prática clínica. Desta forma, com a maior frequência no uso da polimixina B, uma nova reação adversa denominada como hiperpigmentação cutânea (HC) passou a ser observada dentre os pacientes em tratamento intravenoso com o antimicrobiano, e desta forma associada a ele. Apesar do número crescente de relatos de pacientes acometidos pela reação pigmentar, pouco ainda é conhecido sobre a sua etiopatogenia, seus fatores associados, sua etiopatogenia e a existência de possível tratamento. Neste sentido, o presente trabalho objetivou avaliar duas reações adversas associadas ao uso intravenoso da polimixina B (HC e nefrotoxicidade), no sentido de conhecer sua incidência e o mecanismo de ação pelo qual se manifestam, além de verificar se há correlação entre os dois desfechos clínicos. Trata-se de um estudo prospectivo realizado no Hospital de Clínicas da Universidade Estadual de Campinas com o acompanhamento contínuo de pacientes em tratamento intravenoso com polimixina B. O impacto da utilização do fármaco na função renal foi avaliado por meio da taxa de filtração glomerular calculada em função da concentração sérica de creatinina. Já a hiperpigmentação cutânea foi avaliada por meio de escala colorimétrica, registros fotográficos, análises dermatoscópicas, histológicas e imunohistoquímicas. Os achados de tais análises suportam a HC como sendo um processo inflamatório com subsequente ativação dos melanócitos decorrente do uso intravenoso da polimixina B. A reação pigmentar foi observada em 8,0% dos pacientes estudados e se manifesta logo nos primeiros dias de tratamento com maior incidência em pacientes melanodérmicos. Outros fatores como incidência de luz, interações medicamentosas, sítio de infecção, microrganismo tratado, doenças de base, sexo e idade não exercem influência sobre o desenvolvimento da reação. A nefrotoxicidade foi registrada em 40,5% da população e não parece estar associada com a HC. Outros desfechos clínicos do tratamento com a polimixina B também foram registrados. Importantes avanços foram obtidos com o presente estudo no sentido de quantificar, avaliar e divulgar os aspectos que tangem o desenvolvimento da HC. Desta forma, suportado por análises histopatológicas, o provável mecanismo pelo qual a HC se manifesta foi então proposto e poderá auxiliar não só no tratamento da reação pigmentar, mas também na sua prevenção.

POLÍTICA, PLANEJAMENTO E GESTÃO DOS HOSPITAIS UNIVERSITÁRIOS FEDERAIS

Candidato(a): Nilton Pereira Júnior Orientador(a): Gastao Wagner De Sousa Campos
Doutorado em Saúde Coletiva
Apresentação de Defesa Data: 14/12/2018, 14:00 hrs. Local: Anfiteatro da Pós-Graduação
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Banca avaliadora
Titulares
Gastao Wagner De Sousa Campos - Presidente
Ademar Arthur Chioro dos Reis- Escola Paulista de Medicina - UNIFESP
June Barreiros Freire- Hospital Estadual de Sumaré
Marcia Aparecida do Amaral- Prefeitura Municipal de Campinas
Alzira de Oliveira Jorge- Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais
Suplentes
Leila Bitar Moukachar Ramos - Universidade Federal de Uberlândia
Gustavo Tenorio Cunha

Resumo


Influenciado pela Reforma Sanitária, o Planejamento em Saúde no Brasil objetiva a compreensão das práticas sociais e sanitárias e a intervenção sobre elas, considerando a necessidade de transformações sociais e de produção de saúde. Entretanto, metodologias que priorizam resultados econômicos vêm ganhando espaço na gestão pública brasileira. Nas últimas décadas formulou-se um conjunto de políticas relacionadas à gestão e à atenção do SUS e dos hospitais. Este estudo realiza uma análise temática de conteúdo, buscando compreender os processos de planejamento em 50 Hospitais Universitários Federais. A maior parte divulgou seus planos, mas com diferença significativa entre as naturezas jurídicas e administrativas. Apesar de quase todos os hospitais apresentarem arranjos e dispositivos de qualificação da gestão, apenas três hospitais envolveram trabalhadores na construção dos planos. Nenhum hospital envolveu usuários e gestores do SUS. Encontrou-se um alinhamento entre os problemas priorizados e os eixos estruturantes da Política Nacional de Atenção Hospitalar . Há, porém, uma preocupação excessiva com problemas administrativos e tecnologias de informação, que se sobrepõe aos problemas relacionados ao modelo de atenção e à gestão da clínica.

Candidato(a): Renato Teixeira Souza Orientador(a): Jose Guilherme Cecatti
Doutorado em Tocoginecologia
Apresentação de Qualificação Data: 14/12/2018, 14:00 hrs. Local: Sala Verde - Prédio Pós-Graduação
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Banca avaliadora
Titulares
Jose Guilherme Cecatti - Presidente
Renato Passini Junior
Mary Angela Parpinelli
Suplentes
Marcelo Luís Nomura - Centro de Atenção Integral à Saúde da Mulher - UNICAMP

Multimorbidade, fragilidade e incapacidade funcional: prevalência e relação simultânea em idosos com 80 anos e mais.

Candidato(a): Naelly Renata Saraiva Pivetta Orientador(a): Flávia Silva Arbex Borim
Mestrado em Gerontologia
Apresentação de Defesa Data: 14/12/2018, 14:00 hrs. Local: Ciped, sala 5
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Banca avaliadora
Titulares
Flávia Silva Arbex Borim - Presidente
Faculdade de Ciências Médicas UNICAMP- Faculdade de Ciências Médicas UNICAMP
Priscila Maria Stolses Bergamo Francisco
Tiago da Silva Alexandre- Universidade Federal de São Carlos
Suplentes
Ivan Aprahamian
Lucia Figueiredo Mourao

Resumo


O objetivo foi estimar a prevalência de multimorbidade, fragilidade e dependência funcional e a presença simultânea das mesmas; e identificar o efeito direto e indireto das variáveis em relação a dependência funcional. Trata-se de um estudo transversal, com 166 idosos de 80 anos e mais, residentes de Campinas-SP, entre 2016 e 2017. As associações foram testadas pelo teste qui-quadrado de Pearson e as correlações pelo coeficiente de correlação de Spearman; a relação entre as variáveis de interesse e as variáveis mediadoras, foi testada com análise de caminhos; foram conduzidas no programa Stata 15.0. O estudo observou maiores prevalências de idosos que tinham 3 ou mais doenças crônicas (35,1%), que apresentavam dependência na realização de 2 ou mais atividades instrumentais de vida diária (AIVDs) (23,4%) e os que tinham 3 ou mais doenças crônicas e dependência na realização de 2 ou mais AIVDs (17,0%). Observou-se correlações positivas e estatisticamente significativas da multimorbidade, fragilidade e dependência funcional. Na análise de caminhos destaca-se o número de doenças crônicas como variável mediadora da relação entre sexo e critérios de fragilidade, e número de critérios de fragilidade como mediadora da relação entre número de doenças e dependência funcional. O estudo oferece evidência da presença simultânea e correlação de multimorbidade, dependência funcional e fragilidade. Através da análise de caminhos, os achados fornecem características em relação ao processo saúde-doença e proporciona identificar uma abordagem específica para minimizar os efeitos e as consequências das variáveis em questão, principalmente a mediação e a interação nos idosos longevos.