Qualificações e Defesas

O IMPACTO DA GENÉTICA E DO AMBIENTE NA HOMEOSTASE ENERGÉTICA

Candidato(a): Marcela Reymond Simões Orientador(a): Licio Augusto Velloso
Mestrado em Fisiopatologia Médica
Apresentação de Defesa Data: 31/01/2022, 14:00 hrs. Local: Integralmente à distância
Banca avaliadora
Titulares
Licio Augusto Velloso - Presidente
Roger Frigerio Castilho
Simone van de Sande Lee
Suplentes
Daiane Fátima Engel - Universidade Federal de Ouro Preto
Leonardo Dos Reis Silveira

Resumo


O aumento da prevalência da obesidade tem tomado amplas proporções, sendo hoje reconhecido como um dos grandes problemas de saúde pública, já que suas alterações metabólicas são responsáveis por muitos dos casos de óbitos na sociedade moderna. Diversas estratégias surgiram para ajudar no combate ao excesso de peso, as quais têm como alvo reduzir a ingestão alimentar e aumentar o gasto energético. Além do aspecto comportamental, estudos de GWAS (Genome Wide Association Studies) identificaram diversos genes responsáveis por causar desequilíbrio no balanço energético devido a alterações no gasto energético, apetite e peso corporal. Percebe-se então que a obesidade é resultado de uma interação entre genética e ambiente, o que torna o seu tratamento ainda mais complexo. Essa multifatoriedade da obesidade faz com que as intervenções comportamentais convencionais para perda de peso, como a prática de atividade física e dietas, muitas vezes resultem em baixo sucesso, devido à baixa adesão e elevadas taxas de recorrência. Uma das estratégias que pode resultar em aumento do sucesso das abordagens terapêuticas para a obesidade é o aumento do gasto energético por termogênese regulada pelo tecido adiposo marrom/bege (BAT/bege). Estudos revelam que ativação do BAT, através da ativação simpática, controlada pelo hipotálamo, tem uma relação positiva com a regulação do peso corporal. Além da ativação do BAT/bege por exposição ao frio e por tônus simpático, acredita-se que um excedente nutricional calórico, componentes farmacológicos e a prática de atividade física possam ser responsáveis pela funcionalidade do BAT. Assim, o objetivo deste trabalho foi investigar se há um impacto diferencial de genética e ambiente, mais especificamente dieta hiperlipídica e atividade física, na ativação do tecido adiposo marrom, e na homeostase energética, em camundongos.



Candidato(a): Ana Laura Masquetti Fava Orientador(a): Priscila Gava Mazzola
Mestrado em Ciências Médicas
Apresentação de Qualificação Data: 01/02/2022, 09:00 hrs. Local: Integralmente à distância.
Banca avaliadora
Titulares
Jose Luiz Da Costa - Presidente
Paulo Cesar Pires Rosa
Guilherme Diniz Tavares- Universidade Federal de Juiz de Fora
Guilherme Diniz Tavares
Suplentes
Jose Luiz Da Costa
Catarina Raposo Dias Carneiro
Eder De Carvalho Pincinato

PREVENÇÃO DE COMPLICAÇÕES EM CIRURGIA DE CATARATA

Candidato(a): Mathias Violante Melega Orientador(a): Mônica de Cássia Alves de Paula
Doutorado em Ciências Médicas
Apresentação de Defesa Data: 02/02/2022, 13:00 hrs. Local: Integralmente à distância.
Banca avaliadora
Titulares
Mônica de Cássia Alves de Paula - Presidente
FCM-UNICAMP- FCM-UNICAMP
Jose Paulo Cabral De Vasconcellos
Thiago Martins Santos
Eduardo Melani Rocha- Universidade de São Paulo/Ribeirão Preto
Paulo Schor- UNIFESP
Suplentes
Jayter Silva de Paula - USP - Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto
Marcony Rodrigues de Santhiago
Renata Ferreira Magalhaes

Resumo


Objetivos: 1) Avaliar a segurança e a eficácia do uso do moxifloxacino intracameral para prevenção da endoftalmite aguda pós-facectomia. 2) Avaliar a segurança para retina e coroide do uso do moxifloxacino intracameral para prevenção da endoftalmite aguda pós-facectomia. 3) Avaliar os resultados cirúrgicos de facectomias realizadas por um grupo de residentes em diferentes níveis de treinamento.Métodos: 1) Os três estudos foram realizados na Universidade Estadual de Campinas. O primeiro deles trata-se de um ensaio clínico controlado e randomizado que avaliou a segurança e a eficácia do uso intracameral de 150 microgramas (µg) de moxifloxacino 0,5 não diluído para prevenção da endoftalmite aguda pós-facectomia. Um total de 3.640 pacientes foram divididos aleatoriamente em dois grupos: no grupo A os pacientes receberam a injeção intracameral de 0,03 ml (150 µg) de moxifloxacino 0,5 como último passo da cirurgia, enquanto o grupo B foi submetido ao mesmo procedimento, sem a injeção intracameral de antibiótico. 2) O segundo estudo é um ensaio clínico randomizado que envolve um subgrupo de pacientes do estudo anterior, para avaliar a segurança do uso intracameral de 150 µg de moxifloxacino 0,5 não diluído para estruturas do segmento posterior (retina e coroide). Os investigadores avaliaram as espessuras macular e de coroide usando Spectral Domain-Optical Coherence Tomography (SD-OCT) no pré-operatório, no 30º e 60º dias de pós-operatório. 3) O terceiro estudo é uma série de casos retrospectiva, que avaliou os resultados de cirurgias de catarata de um grupo de 10 residentes ao longo de 18 meses. Um total de 730 cirurgias realizadas por residentes foram avaliadas em três grupos: cirurgias realizadas durante o primeiro semestre de treinamento dos residentes em facoemulsificação (S1), cirurgias realizadas durante o segundo semestre (S2), e cirurgias realizadas durante o terceiro semestre (S3). O desfecho primário foi a incidência de complicações intra-operatórias em cada grupo. Os desfechos secundários foram as comparações entre acuidade visual corrigida (AVC) inicial e final, pressão intraocular (PIO), densidade de células endoteliais (DCE) e espessura corneana central (ECC) em cada grupo.Resultados: 1) A incidência de endoftalmite em seis semanas de acompanhamento foi de 1 em 1.818 olhos (0,05 ) no grupo que recebeu a injeção intracameral de moxifloxacino (grupo A) e 7 em 1.822 olhos (0,38 ) no grupo controle (grupo B) (p=0,035). Não houve diferença significativa em AVC (p=0,202), DCE (p=0,482), PIO (p=0,105) ou ECC (p=0,558) entre os grupos. 2) Não houve diferença entre os grupos em relação à espessura macular central (p=0,8275) e de coroide (p=0,5489) na avaliação pré-operatória. Durante o acompanhamento, no 30º dia de pós-operatório não houve diferença estatística em relação à espessura macular (p=0,7232) ou de coroide (p=0,5017). No 60º dia de pós-operatório: a espessura macular central variou de 19,53 ± 39,28 μm para A e 17,14 ± 53,68 μm para B (p=0,8363); A espessura da coroide variou 5,08 ± 21,96 μm para A e 5,24 ± 15,8 para B (p=0,9752). 3) No terceiro estudo, a taxa de complicações em seis semanas de acompanhamento foi de 24 de 102 olhos (23,53 ) no grupo S1, 63 de 301 olhos (20,93 ) no grupo S2 e 37 de 327 (11,31 ) no Grupo S3 (p=0,001). A ruptura da cápsula posterior (RCP) foi a intercorrência mais frequente observada nos três semestres: ocorreu em 12,7 das cirurgias do primeiro semestre (13/102), 16,9 das cirurgias do segundo semestre (51/301) e 9,5 das cirurgias no terceiro semestre (31/327). Não houve diferença significativa com relação à AVC (p=0,298), DCE (p=0,067), PIO (p=0,217) ou ECC (p=0,807) entre os grupos. Conclusões: 1) A injeção intracameral de moxifloxacino 0,5 não diluído pode ser aplicada com segurança como a última etapa da facoemulsificação, sendo eficaz na redução do risco de endoftalmite. Este estudo representa o primeiro ensaio clínico randomizado controlado para avaliar a segurança e eficácia do moxifloxacino intracameral na prevenção da endoftalmite pós-facectomia.2) A injeção intracameral de moxifloxacino como último passo da cirurgia de catarata não induziu alterações na espessura macular e coroidal. 3) Quando avaliada pelas taxas de complicações e pelos parâmetros acima mencionados, a competência cirúrgica melhorou à medida que a experiência e a frequência cirúrgica aumentaram, sendo que as taxas encontradas estão dentro do que havia sido descrito previamente na literatura.



Diagnóstico de acretismo placentário por meio da ultrassonografia ou ressonância nuclear magnética: revisão sistemática e recomendações para a prática clínica

Candidato(a): Marcela de Oliveira Carniello Orientador(a): Joao Renato Bennini Junior
Mestrado Profissional em Ciência Aplicada à Qualificação Médica
Apresentação de Defesa Data: 03/02/2022, 14:00 hrs. Local: Videoconferência
Banca avaliadora
Titulares
Joao Renato Bennini Junior - Presidente
Maria Laura Costa Do Nascimento
Edward Araújo Júnior- UNIFESP
Suplentes
Patricia Moretti Rehder
ROSY ANE DE JESUS PEREIRA ARAUJO BARROS - EFLCH - Universidade Federal de São Paulo

Resumo


Introdução: O acretismo placentário é uma condição gestacional na qual a placenta, ou parte dela, invade anormalmente a decídua e/ou parede uterina. Afeta cerca de 17 em 10.000 gestações e tem como principais fatores de risco a realização de cirurgias uterinas prévias, tais como cesáreas e miomectomias, e a localização placentária anormal - placenta prévia. É considerada uma das principais causas de hemorragia puerperal, resultando em até 7 de mortalidade materna quando identificado apenas no momento do parto, o que ocorre em até 2 terços dos casos, principalmente devido à não padronização de recomendações para guiar o diagnóstico dessa patologia na maioria dos serviços de saúde. Objetivo: Realizar uma revisão sistemática para determinar e comparar as acurácias do ultrassom (US) e da ressonância nuclear magnética (RNM) no diagnóstico de acretismo placentário (PAS) e propor recomendações para utilização desses exames com essa finalidade na prática clínica do Hospital da Mulher Dr José Aristodemo Pinotti - CAISM/UNICAMP. Métodos: Foi realizada revisão sistemática seguindo o protocolo de revisão sistemática de acurácia de testes diagnósticos do grupo Cochrane. A busca foi realizada em 5 bases de dados (PubMed, EMBASE, PMC, Cochrane Central e BVS-Bireme), com a última atualização em 19 de agosto de 2021, incluindo estudos observacionais de validação diagnóstica nos quais gestantes com fatores de risco para PAS (principalmente cirurgia uterina prévia e/ou placenta prévia) foram submetidas a ambos os testes índice (US e RNM) e que foram publicados em língua inglesa entre os anos de 2010 a 2021. A análise de qualidade dos métodos foi avaliada seguindo o protocolo QUADAS-2. Os resultados foram apresentados pelos números de verdadeiros positivos (VP), falsos positivos (FP), verdadeiros negativos (VN) e falsos negativos (FN) para US e RNM, mostrados em forest-plots com seus valores de sensibilidade, especificidade e razões de verossimilhança positiva e negativa com os respectivos intervalos de confiança de 95 . Também foram construídas curvas ROC para US e RNM para comparação entre os métodos. O método GRADE foi utilizado para avaliação da qualidade da evidência e para estruturar as recomendações seguindo o formato do RIGHT Statement. Resultados: Foram encontrados 266 artigos na primeira busca; após revisão de título e resumo 51 foram selecionados para análise de texto completo; finalmente 17 foram selecionados para coleta de dados, somando 1301 mulheres que realizaram os dois exames (457 com diagnóstico de PAS pelo padrão ouro). A meta-análise revelou sensibilidade = 0,833 (95 IC: 0,776-0,877) e especificidade = 0,834 (95 IC: 0,77-0,897) para o US. Para a RNM, a sensibilidade foi de 0,838 (95 CI: 0,786-0,879) e especificidade igual a 0.831 (95 CI: 0.77-0.878), não houve diferença estatística significativa entre os dois exames. Conclusão: A revisão sistemática demonstrou que o US e a RNM tem sensibilidade e especificidade semelhantes para o diagnóstico de acretismo placentário em pacientes de alto risco. Com base nesses dados e também considerando a disponibilidade dos equipamentos e profissionais, os custos para os serviços de saúde, aceitabilidade e preferências das pacientes, sugerimos que locais como o CAISM/UNICAMP, que tenham profissionais bem treinados para a realização de US, optem por esse exame como primeira opção para o diagnóstico de acretismo placentário em pacientes com alto risco para essa patologia.

Esse estudo não recebeu financiamento de agências de fomento em setores público, comercial ou sem fins lucrativos. O protocolo da revisão sistemática foi registrado na plataforma PROSPERO com o código CDR42020203860.



RELAÇÃO ENTRE ASPECTOS VOCAIS E ASPECTOS DO SISTEMA ESTOMATOGNÁTICO EM CANTORES LÍRICOS

Candidato(a): Rafaela Lombas de Resende Orientador(a): Ana Carolina Constantini
Mestrado em Saúde, Interdisciplinaridade e Reabilitação
Apresentação de Defesa Data: 03/02/2022, 14:00 hrs. Local: Integralmente à distância
Banca avaliadora
Titulares
Ana Carolina Constantini - Presidente
Regina Yu Shon Chun
Anna Alice Figueirêdo de Almeida- Universidade Federal da Paraíba
Suplentes
Vanessa Veis Ribeiro - Universidade Federal de São Paulo
Helenice Yemi Nakamura

Resumo


Introdução: Os cantores líricos apresentam grandes exigências em sua
performance, como boa qualidade de voz e de projeção, além de domínio da técnica
vocal e adequação na coordenação pneumofonoarticulatória (CPFA). Estes cantores
dedicam-se por longos anos ao estudo deste estilo de canto, pois necessitam de
controle específico de cada estrutura do trato vocal, as quais influenciam na
produção da voz e nas funções de articulação, ressonância e respiração. Portanto, é
importante compreender as relações de intersecção entre Voz e o Sistema
Estomatognático (SE), bem como suas implicações na qualidade vocal, uma vez que
para que a produção da voz ocorra de maneira saudável, é necessário que haja um
equilíbrio muscular de todas as estruturas que fazem parte do trato vocal, ainda que
não estejam ligadas diretamente à voz. Contudo, estudos que busquem avaliar os
aspectos fisiológicos e anatômicos de cantores líricos ainda são escassos.
Objetivos: Investigar aspectos de voz e aspectos do SE em cantores líricos;
relacionar os aspectos da Motricidade Orofacial com tempo de profissão; relacionar
os aspectos da Motricidade Orofacial com presença de queixa vocal; relacionar os
aspectos da Motricidade Orofacial com a idade; relacionar os aspectos da
Motricidade Orofacial com a análise perceptivo auditiva. Métodos: Estudo descritivo
e quantitativo em que foram aplicados os protocolos Índice de Desvantagem Vocal –
10 (IDV-10), Índice de Desvantagem para o Canto Clássico (IDCC) e Exame
Miofuncional Orofacial (MBGR), além de gravação de amostras vocais, avaliadas
posteriormente a partir d o protocolo Consenso de Avaliação Perceptivo Auditiva da
Voz (CAPE-V). Foram incluídos na pesquisa sujeitos cantores líricos profissionais
por, pelo menos, 2 anos; sujeitos que possuam alguma formação em canto lírico ou
que estejam estudando para tal e foram excluídos sujeitos que autorreferissem
alterações gástricas, tais como Refluxo Gastroesofágico e com idade superior a 50
anos ou inferior a 18. Resultados: Participaram do estudo 15 cantores
(10 mulheres, 5 homens), com tempo médio de estudo formal do canto de 9,9 anos.
Apenas 4 cantores autorreferiram queixa vocal e 14 demonstraram interesse no
atendimento fonoaudiológico, incluindo todos os cantores com queixa vocal. Apenas
um cantor apresentou escore do IDV-10 acima do valor de corte. No IDCC a média
geral dos escores foi maior do que no IDV-10 e os cantores apresentaram maior
desvantagem vocal nas subescalas defeito (6,2) e incapacidade (5). Para a análise perceptivo auditiva, o grau de confiabilidade entre juízes foi sem concordância.
Cantores com maior tempo de estudo e profissão apresentaram modo respiratório
nasal e cantores com maior tempo de profissão apresentaram dor à palpação do
músculo esternocleidomastóideo. Conclusão: Os cantores desta amostra
apresentaram maior desvantagem na subescala “defeito” do IDCC. A análise
perceptivo auditiva será realizada por um terceiro avaliador e submetida aos testes
estatísticos novamente. Cantores com mais tempo de profissão apresentaram modo
respiratório nasal e podem sentir dores no músculo esternocleidomastóideo.