Qualificações e Defesas

Análise metagenômica da microbiota intestinal em pacientes portadores de câncer colorretal

Candidato(a): Larissa Berbert Arias Orientador(a): Claudio Saddy Rodrigues Coy
Mestrado em Ciências da Cirurgia
Apresentação de Defesa Data: 28/01/2020, 08:00 hrs. Local: Anfiteatro do Gastrocentro
Veja mais / Fechar
Banca avaliadora
Titulares
Claudio Saddy Rodrigues Coy - Presidente
Carla Roberta de Oliveira Carvalho- ICB - Universidade de São Paulo
Everton Cazzo
Suplentes
Paulo Gustavo Kotze - Pontifícia Universidade Católica do Paraná
Luiz Roberto Lopes

Resumo


INTRODUÇÃO: O desequilíbrio da microbiota intestinal é um dos fatores relacionados à carcinogênese colorretal. Existem poucos dados publicados sobre microbiota no câncer colorretal para a população brasileira. OBJETIVO: Descrever as alterações da microbiota em pacientes com diagnóstico de neoplasia colorretal esporádica em comparação com indivíduos saudáveis. MÉTODOS: Amostras fecais foram obtidas de 28 indivíduos com câncer colorretal (grupo 1) e 23 controles saudáveis ​​(grupo 2). O RNA 16S foi extraído para análise metagenômica. Além das variáveis ​​antropométricas, foi considerado o estágio clínico (TNM-2018). RESULTADOS: Não houve diferença significativa em relação à distribuição por sexo (p = 0,275), idade (p = 0,292), IMC (p = 0,56), tabagismo (p = 0,515), tipo de parto (p = 0,089), tempo de amamentação (p = 0,751), área de residência (rural ou urbana) (p = 1,00) e escolaridade (p = 0,182). O cólon distal (57,1%) foi o local de câncer colorretal mais frequente. Em relação à classificação TNM (2018), os estágios iniciais foram os mais comuns, respondendo por 42,9% da amostra. (no estágio 0 in situ e estágio I), os estágios II, III e Iv foram de 25%, 28,6% e 3,6%. Houve maior porcentagem de Prevotellas e Fusobacterium no grupo 1 e no grupo 2, Bacteróides, Megaminas e Pseudobutyrivibrio. Quanto às espécies, houve diferença significativa com maior quantidade de Prevotella copri (p = 0,043), Bacteroids fragilis (p = 0,05), Faecalibacterium prausnitzii (p = 0,009), Fusobacterium nucleatum (p = 0,032) no grupo 1 e maior abundância de Bacteroids vulgatus (p = 0,001), Bacteroides stercoris (p = 0,031), Lachnospira pectinoschiza (p = 0,016) no grupo 2. Houve correlação inversa entre estadiamento do câncer e Prevotella copri (p = 0,019), Lachnospira pectinoschiza (p = 0,041), Faecalibacterium prausnitzii (p = 0,016). CONCLUSÕES: Houve diferenças na microbiota intestinal para indivíduos com câncer colorretal. Algumas espécies foram correlacionadas com o estágio TNM

ACESSO ENDOSCÓPICO ENDONASAL PARA FOSSA INTERPEDUNCULAR – NOVA TÉCNICA DE TRANSPOSIÇÃO HIPOFISÁRIA USANDO DISSECÇÃO ANATÔMICA CADAVÉRICA

Candidato(a): Victor Leal de Vasconcelos Orientador(a): Helder Tedeschi
Mestrado em Ciências Médicas
Apresentação de Defesa Data: 28/01/2020, 08:30 hrs. Local: Sala amarela da Pós-Graduação/FCM
Veja mais / Fechar
Banca avaliadora
Titulares
Helder Tedeschi - Presidente
Heraldo Mendes Garmes- Faculdade de Ciências Médicas / UNICAMP
Ricardo Landini Lutaif Dolci- Santa Casa de São Paulo
Suplentes
Fabio Rogerio
Paola Bertolotti Cardoso Pinto - Hospital A.C. Camargo

Resumo


Introdução: A região da cisterna interpeduncular é uma área de desafio a ser abordada cirurgicamente. As abordagens transcranianas tradicionais foram inicialmente desenvolvidas e, mais recentemente, foram descritas técnicas endoscópicas endonasais para acessar essa região da maneira mais direta. A hipófise, no entanto, é um ponto crucial e algumas técnicas foram descritas para transpor a glândula e permitir a visualização direta da cisterna interpeduncular. Objetivo: Propor uma nova técnica de transposição da hipófise para criar uma rota segura para acessar o aspecto ventral do tronco cerebral, particularmente a cisterna interpeduncular. Material e métodos: Cinco espécimes de cabeça cadavérica sem doença intracraniana, preservados em álcool e injetados com silicone colorido foram dissecados passo a passo usando técnicas endoscópicas no Laboratório de Base do Crânio da Universidade Estadual de Ohio. A técnica da proposta é descrita em detalhes com imagens ilustrativas de alta qualidade. Resultados: A abordagem estendida do transtubérculo transplanum foi realizada sistematicamente até a abertura dural. A dura-máter da sela foi aberta de maneira cruciforme e uma abertura de extensão lateral foi realizada ao longo da borda lateral da glândula. A hipófise foi dissecada da parede medial do seio cavernoso e a dura-máter do assoalho selar foi separada do osso e deixada aderida à parte inferior da glândula, protegendo a fissura interlobar e a neuro-hipófise. As artérias hipofisárias inferiores estavam presentes bilateralmente em todas as amostras, eram visualmente simétricas em três amostras e visualmente assimétricas em duas cabeças (uma dominância esquerda e uma dominância direita). As artérias eram longas o suficiente para permitir o deslocamento superior da hipófise sem tensão ou avulsão em todas as amostras. Conclusão: A cisterna interpeduncular ainda é uma região desafiadora para acessar cirurgicamente no momento. A via endonasal endoscópica parece ser mais direta e viável em alguns casos. A técnica de transposição hipofisária proposta no presente estudo pode obter uma boa visualização da cisterna interpeduncular. Estudos clínicos são necessários para validar nossa abordagem proposta.

USO DE MÉTODOS CONTRACEPTIVOS DURANTE A INTERNAÇÃO APÓS PERDA GESTACIONAL NO PRIMEIRO TRIMESTRE EM UM HOSPITAL UNIVERSITÁRIO NO BRASIL

Candidato(a): Nelio Neves Veiga Júnior Orientador(a): Luiz Francisco Cintra Baccaro
Mestrado em Tocoginecologia
Apresentação de Defesa Data: 28/01/2020, 09:00 hrs. Local: Anfiteatro Kazue Panetta- CAISM/UNICAMP
Veja mais / Fechar
Banca avaliadora
Titulares
Luiz Francisco Cintra Baccaro - Presidente
Rogério Bonassi Machado- Faculdade de Medicina de Jundiaí
Ilza Maria Urbano Monteiro- Departamento de Tocoginecologia
Suplentes
Armando Antunes Júnior - Universidade Estadual de Campinas
Cassia Raquel Teatin Juliato

Resumo


Introdução: o abortamento, a gestação ectópica e a doença trofoblástica gestacional são causas comuns de sangramento vaginal no primeiro trimestre da gravidez e são responsáveis por 7,9% da mortalidade materna no mundo e, principalmente, nos países da América Latina, onde ocorre uma taxa de abortos inseguros de 31 abortos para 1000 mulheres. Uma das iniciativas para prevenir esse quadro é o aumento na utilização de métodos contraceptivos, principalmente logo após o primeiro episódio de aborto. Devido à legislação restritiva pouco se sabe sobre os agravos relacionados ao abortamento, o que motivou a OMS junto com a CLAP (Centro Latino-Americano de Perinatologia) a instalar uma rede multicêntrica internacional, a Rede MUSA, a fim de realizar vigilância das mulheres em situação de aborto, podendo, dessa maneira, sistematizar as informações. Objetivo: avaliar a utilização de métodos contraceptivos após abortamento, gravidez ectópica e gestação molar no núcleo sentinela da Rede MUSA - Hospital da Mulher Prof. Dr. J. A. Pinotti – CAISM/UNICAMP. Métodos: estudo de corte-transversal entre julho/2017 a agosto/2019, com mulheres com quadro de aborto, gravidez ectópica ou gestação molar. As variáveis dependentes foram o início de MAC e o seu tipo específico (pílula, injetável, DIU, esterilização feminina) antes da alta hospitalar. As variáveis independentes foram características clínicas e sociodemográficas. A análise estatística foi realizada através do teste de qui-quadrado,teste de Mann-Whitney, teste de tendência deCochran-Armitage e regressão logística múltipla.Resultados: foram atendidas 382 mulheres, sendo a média de idade foi de 29,56 anos (±7,42), com mediana de 29 (12-50). Foram 75,2% quadros de aborto, desses 10,2% por motivos legais, 16,5% de gestações ectópicas e 8,4% de molas hidatiformes. A média de idade gestacional foi 10,7 semanas (±3,9), 33,7% relataram que já tinham apresentado pelo menos um aborto prévio e 64% foram gravidezes acidentais, com 47,9% de falha de MAC. Dessas mulheres, 146 (38,2%) iniciaram método contraceptivo ainda durante a internação, sendo 51,4% de injetáveis. Pelo teste de Cochran-Armitage houve tendência significativa de aumento da utilização de MAC, devido a utilização de métodos injetáveis. Na regressão logística múltipla, os fatores independentemente associados ao início de método contraceptivo durante a internação foram admissão no ano de 2019 (OR 2,65; 95% IC 1,36-5,17) e não ter sido internada por motivo de aborto legal (OR 3,54; 95% IC 1,30 – 9,62). Conclusão: houve um aumento na contracepção e foi uma identificada uma população vulnerável. Essa rede de vigilância pode continuar fornecendo informações para garantir o empoderamento das mulheres no conhecimento dos métodos contraceptivos, assegurando sua equidade de acesso,monitorizando o sistema de saúde, reduzindo, assim, os obstáculos à contracepção eficaz e, consequentemente, a gravidez indesejada e o abortamento insegurO

Paracoccidioidomicose aguda-subaguda: características clínicas e laboratoriais de uma coorte pediátrica de 141 pacientes, com desenvolvimento de um fator preditivo de mortalidade.

Candidato(a): Mariana Tresoldi das Neves Romaneli Orientador(a): Ricardo Mendes Pereira
Doutorado em Saúde da Criança e do Adolescente
Apresentação de Defesa Data: 28/01/2020, 09:00 hrs. Local: CIPED
Veja mais / Fechar
Banca avaliadora
Titulares
Ricardo Mendes Pereira - Presidente
Gabriel Hessel
Plinio Trabasso
Carlos Magno Castelo Branco Fortaleza
Gil Benard
Suplentes
Adriana Gut Lopes Riccetto
Vera Maria Santoro Belangero
Joelma Gonçalves Martin

Resumo


Introdução

A paracoccidioidomicose (PCM) aguda-subaguda é uma micose sistêmica grave, que afeta crianças e adolescentes de regiões endêmicas, levando à linfadenite generalizada, febre, perda de peso, anemia, eosinofilia, hipoalbuminemia e hipergamaglobulinemia.

Objetivo

Descrever as características clínicas e laboratoriais da PCM aguda-subaguda, determinar um fator de risco de mortalidade, bem como propor um teste para risco de não-sobrevivência relacionado à doença.

Sujeitos e Métodos

Crianças e adolescentes diagnosticadas com PCM aguda-subaguda com menos de 15 anos de idade foram incluídos no estudo. Os dados epidemiológicos, clínicos e laboratoriais foram obtidos a partir de seus prontuários médicos. Foram realizadas análise descritiva, comparação de médias, regressão logística univariada, regressão logística multivariada e uma curva ROC a fim de identificar informações significativas (p<0,05).

Resultados

Durante o período de 38 anos, 141 crianças e adolescentes receberam o diagnóstico de PCM aguda-subaguda. O medicamento mais utilizado para o tratamento foi sulfametoxazol-trimetoprima (SMX-TMP). A taxa de complicação foi de 17%, a taxa de recidiva foi de 7,8% e a mortalidade foi de 5,7%. Uma dosagem sérica de albumina baixa à admissão foi identificada como fator preditivo de mortalidade. O ponto de corte na dosagem de albumina sérica foi de 2,18 g/dL, acima do qual, a taxa de sobrevida é de 99,1%.

Conclusões

Exames laboratoriais simples podem levar à suspeita diagnóstica de PCM aguda-subaguda, sendo que o início do tratamento é recomendado mesmo antes do isolamento do fungo em materiais biológicos, a fim de prevenir evoluções desfavoráveis. Pacientes com dosagem sérica de albumina menores que 2,18 g/dL devem receber atenção especial, preferencialmente hospitalizados, durante as primeiras quatro semanas de tratamento, por apresentarem risco de mortalidade elevado.

CRIAÇÃO DE UM PROTOCOLO INSTITUCIONAL PARA MONITORAMENTO PÓS OPERATÓRIO DAS RECONSTRUÇÕES COM RETALHOS MICROCIRÚRGICOS

Candidato(a): Raíssa Quaiatti Antonelli Orientador(a): Paulo Kharmandayan
Mestrado Profissional em Ciência Aplicada à Qualificação Médica Coorientador(a): Alfio Jose Tincani
Apresentação de Defesa Data: 28/01/2020, 09:00 hrs. Local: Faculdade de Ciências Médicas - Anfiteatro da pós graduação
Veja mais / Fechar
Banca avaliadora
Titulares
Paulo Kharmandayan - Presidente
Davi Reis Calderoni
An Wan Ching
Suplentes
Carlos Augusto Real Martinez
Pedro Soler Coltro

Resumo


Introdução: A técnica cirúrgica microvascular para realização de retalhos microcirúrgicos foi sendo aprimorada nos últimos 30 anos, com taxas de sucesso reportadas entre 94% a 99%. A despeito dessa evolução, complicações vasculares (tromboses venosa, arterial e hematomas) nos pedículos dos retalhos microcirúrgicos podem levar à isquemia e congestão. Sinais de má perfusão tecidual, quando identificados precocemente, possibilitam intervenção imediata, elevando as taxas de sobrevivência do retalho. A partir da década de 1980, as tentativas de padronizar uma técnica ideal de monitoramento objetivando minimizar as perdas aumentaram. O modelo ideal seria não invasivo, confiável, objetivo, reprodutível por qualquer indivíduo treinado, com monitoramento contínuo para todos os tipos de retalho e economicamente viável. O modelo preconizado ainda nos dias de hoje consiste na observação clínica: avaliação da cor do tecido, temperatura do retalho, sangramento dérmico (pin prick test) e enchimento capilar, apesar de serem baseados em variáveis subjetivas e dependentes de avaliação pessoal. Métodos auxiliares vêm ganhando espaço visando serem mais objetivos (ex.: clearence de hidrogênio, ultrassom Doppler portátil, ultrassom Doppler laser, ultrassom Doppler implantável, temperatura por infravermelho, avaliação da oxigenação tecidual por cateter, microdiálise, angiografia com verde de indocianina). Todavia ainda não há consenso sobre um monitoramento de retalhos microcirúrgicos que seja tão sensível, específico e que promova uma reintervenção cirúrgica eficaz quanto o monitoramento clínico.

Objetivo: Criação e aplicação de um protocolo de monitoramento pós-operatório dos pacientes candidatos à reconstrução microcirúrgica do Hospital de Clínicas da UNICAMP, adequado ao Serviço, visando minimizar a taxa de perda dos retalhos microcirúrgicos.

Método: Revisão de dados da literatura sobre monitoramento pós-operatório de retalhos microcirúrgicos com posterior criação e aplicação de um protocolo adequado ao Serviço utilizando a observação clínica acrescida de dois métodos auxiliares de interpretação mais objetiva: o ultrassom Doppler e o termômetro infravermelho.

Resultados: A partir da revisão de dados da literatura baseados na pesquisa em banco de dados do PubMed e LILACS com os termos “FREE FLAPS and MONITORING” foram identificados 188 artigos, dos quais 4 revisões sistemáticas e 20 estudos prospectivos. Tomando como base os 24 artigos (revisões sistemáticas e estudos prospectivos) foi criado um protocolo de monitoramento adequado ao serviço. Foram acompanhados três pacientes com abordagem cirúrgica de setembro a dezembro de 2019, com reintervenção precoce em um caso e salvamento do retalho.

Conclusão: A criação do protocolo institucional de monitoramento pós-operatório dos retalhos microcirúrgicos utilizando a associação da observação clínica e de dois métodos auxiliares de interpretação (ultrassom Doppler e termômetro infravermelho) adequou-se às características deste Serviço, foi reprodutível e factível, com resgate de um retalho microcirúrgico. Foram identificadas, entretanto, dificuldades com o monitoramento exclusivo por residentes e o compartilhamento do ultrassom Doppler. É necessário maior número de monitoramentos para conclusões adicionais.